5 Minutos de Leitura

30 10 2011

5 Minutos de Leitura

Segunda-feira,  31 de outubro de 2011

 

Bem-estar e consumo

Uma característica comum aos países desenvolvidos é o consumismo. Muitas vezes sentido como sinal de bem-estar, arrasta, no entanto, consigo muitos sintomas de mal-estar.

O crescimento económico, a subida dos salários, os benefícios sociais, o clima da esperança e o desejo de bem-estar fariam desencadear, nas sociedades industrializadas do Ocidente, um fenómeno de consumismo generalizado. A necessidade crescente de escoamento dos produtos, fruto de uma produção em massa, foi auxiliada pela eficácia cada vez maior da publicidade e pelo aparecimento da televisão, que estimulava as populações, conduzindo ao nascimento de sonhos e necessidades fictícias. Quase todos os bens pareciam estar ao alcance do lar mais humilde, através dos sistemas de compra facilitados – a crédito e a prestações. Ao mesmo tempo, o aparecimento de grandes superfícies comerciais – supermecados, centros comerciais, self-services – atraía as pessoas, seduzindo “grandes e pequenos” a fazer mais compras do que as inicialmente previstas. Do ponto de vista social e psiclógico, nascia assim uma sociedade de consumo, na qual só era feliz e bem aceite quem possuía mais e melhores bens do que o seu vizinho. Este fenómeno traduziu-se numa “corrida em relação à última moda” – o carro mais veloz, o vestido da estrela de cinema, o frigorífico mais bonito. O excesso de consumo conduziria em breve ao desperdício, que, pouco tempo depois, iria dar origem aos primeiros problemas ambientais sérios.

           

Paula Maria Coelho,

Um Mundo na História, 9º ano,

Didáctica Editora

Texto selecionado pela BE

 





Dia 31 de outubro – dia mundial da poupança

30 10 2011

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Concurso “Páginas Soltas”

30 10 2011

Categoria ensino básico: texto nº 9

(…)

Mas talvez Noemi tivesse razão nas suas constantes dúvidas  existenciais. Seríamos realmente fortes e capazes de lutar contra a Sociedade para salvar os dois mundos? Eu achava que era demasiado para umas rapariguinhas como nós… Agarrei numa revista de moda que estava em cima da mesa à minha frente e comecei a folheá-la para me distrair. Vi a fotografia de uma árvore de Natal e reparei que Riddel não tinha nenhuma. Que mulher amarga e solitária. De certa forma, tinha pena dela. Sem família, e a noite de Natal era já amanhã… Bem, em princípio eu também não teria família na noite de Natal. Tinha recebido um telefonema dos meus pais a dizer que os voos tinham sido cancelados por causa da neve… Mas o que é aquilo?!…

Richart saía da casa de banho em tronco nu e com uma minúscula toalha de mãos á cintura. Mesmo estando habituada a estar com rapazes naquele estado, não consegui evitar corar a pele morena do meu rosto. Ele tinha insistido para tomarmos banho assim que chegámos a casa. Dizia que se sentia sujo do combate. E esteve no chuveiro pelo menos quarenta minutos. Ele era realmente muito loiro, musculoso com uma pele linda e um masculino maxilar perfeito. Parecia um autêntico príncipe de conto de fadas! Ou entao, um modelo. Mais giro que os homens da revista nas minhas mãos.

– Realmente, aqui na Terra os chuveiros são fantásticos! Nem é preciso colocar orbes na água para aquecê-la; já sai quente do cano. É fantástico! Mas, Lorelei, olha para isto! Eu estou nojento, estou horrível. Olha para aqui! – Ele estava com uma expressão de derrota e apontava para três minúsculas borbulhas vermelhas no seu imenso peito musculado.

– Aaah… mas isso nem se nota Richart! Estás fantástico, não te preocupes. – Eu não conseguia falar com ele com tanta confiança como ele falava comigo. Afinal, eu nem o conhecia e achava-o um oferecido por aparecer assim ao pé de mim.

– Não percebes, isto vai dar cabo da minha reputação. Espera, vou vestir-me e explico-te tudo. – Saiu para o quarto de Riddel para vestir a sua roupa real.

(…)

Categoria ensino secundário: texto nº 9

(…)

                Priscilla tinha aparecido como o coelho que sai da cartola de um prestidigitador. Tinha vinte e cinco anos, um passado de dificuldades económicas e familiares e um marido que, depois de a ter engravidado, tinha fugido para o Japão com uma enfermeira inglesa. Tinha vivido nas filipinas com mais nove irmãos e os pais numa barraca onde esgaravatavam as galinhas. Teve, do marido, uma menina que sofria do coração e precisava de dinheiro para a tratar. Por isso partiu, como clandestina, desembarcou em Amesterdão e dali chegou a Itália, onde encontrou uma tia que a pôs a trabalhar em casa de uma senhora de idade. A tia queria metade do ordenado por lhe ter arranjado trabalho. A senhora morreu ao fim de dois meses e ela foi trabalhar para casa de uma outra senhora, rica, que para a castigar pelos seus erros a fechava na varanda, no exterior, em pleno mês de Janeiro. Nessa altura, pediu ajuda a umas freiras. Fora então que Sofia a descobriu.

                A lista das complicações que Priscilla arranjava na casa dos Donelli era inesgotável. Mas era simpática, optimista e relativamente fiável. Penelope gostava dela. Com muita paciência da sua parte e muita boa vontade da parte da filipina, tinham instaurado uma convivência aceitável. Até aparecer Muhamed, o egípicio, que trabalhava num night club e queria convertê-la à religião muçulmana e mandá-la para o Egipto tomar conta dos seus velhos pais. Priscilla recusou-se a satisfazer as suas exigências. Periodicamente, ele acusava-a de ter amantes e batia-lhe. Ela chorava, mas tinha orgulho em ter um homem ciumento. Penelope censurava-a por aquela submissão e explicava-lhe a importância da dignidade. Priscilla dizia: – Sim, tem razão, minha senhora. – E depois espicaçava-a: – Mas parece-me que o senhor Donelli é um bocado como o Muhamed. Berra e parte tudo. Depois traz-lhe uma prenda e a senhora sorri.

                Penelope ficava furiosa. – Ele nunca levantou um dedo para me agredir – sublinhava.

                – Mas engana-a. O Muhamed não. Portanto, estamos quites – concluía com o seu eterno sorriso.

(…)

 





SETE MIL MILHÕES…

28 10 2011

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5 Minutos de Leitura

27 10 2011

5 Minutos de Leitura

Sexta-feira,  28 de outubro de 2011

 

Idosos vítimas de crime

            Nos últimos aos aumentaram as queixas de violência contra idosos. O aumento da esperança média de vida, a par com o enfraquecimento dos sistemas de proteção social, coloca-os numa situação de grande fragilidade. É urgente mudar mentalidades e recuperar o respeito pelo saber de experiência feito.

            Com o aumento da esperança de vida prevê-se que o número de pessoa com mais de sessenta anos duplique até 2015, passando de 542 milhões em 1995 para 1200 milhões nessa data. A organização Mundial de Saúde (OMS) receia que este aumento, associado a uma certa quebra de laços entre gerações e ao enfraquecimento dos sistemas de proteção social, venha a agravar as situações de violência.

            Dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) revelam que, nos últimos anos, se verificou um aumento de 20,4% do total de pessoas idosas vítimas de crime.

            Por defeito tendemos a associar imediatamente o termo violência a maus tratos físicos, no entanto, o âmbito da violência contra os idosos assume muitos outros contornos tão ou mais graves do que a agressão física, tais como agressões psicológicas, privação de cuidados adequados, abandono, desvalorização da sua personalidade e experiência, usurpação e administração indevida dos seus próprios bens.

            Igualmente associados à problemática dos idosos, a APAV tem recebido vários pedidos de apoio, por parte de profissionais de saúde, no sentido de minimizar as consequências das situações dos idosos abandonados em hospitais e desenvolver estratégias para que essas situações aconteçam menos frequentemente. «Familiares que acompanham os seus doentes idosos fornecem contactos errados ao hospital. Chegada a hora da alta, quando o hospital tenta entrar em contacto com eles, não conseguem porque os dados são falsos. Estas situações não são pontuais, acontecem muito frequentemente e refletem a intenção nítida de abandonar os idosos», alerta Helena Sampaio. (…)

            É preciso recuperar a importância do papel do idoso para a comunidade e assegurar ou reforçar a formação dos técnicos que trabalham diretamente com eles em casas de repouso e lares.

            Se antigamente os mais velhos eram respeitados, tidos como fonte de sabedoria, hoje a permanente falta de tempo e a busca incessante pela novidade ignora também a nossa fuga perante o inevitável envelhecimento.

Vânia Machado, Família Cristã, Fevereiro de 2009

Texto selecionado pela BE





Concurso “Páginas Soltas”

27 10 2011

Categoria ensino básico: texto nº 8

(…)

A professora Trelawney aproximou-se do lume e viram que era extremamente magra. Os óculos enormes aumentavam-lhe os olhos, multiplicando várias vezes a sua dimensão natural e estava enrolada num xaile de gaze e lantejoulas. Vários fios e contas envolviam-lhe delicadamente o pescoço enquanto as mãos e os braços ostentavam pulseiras e anéis.

                -Sentem-se, crianças, sentem-se. – disse. E todos eles subiram desastradamente para as cadeiras ou afundaram-se nos poufs. Harry, Ron e Hermione sentaram-se em volta da mesma mesa redonda.

                -Bem-vindos à Adivinhação – disse a professora Trelawney que se sentara numa poltrona de orelhas em frente do lume. ­­- Eu sou a professora Trelawney. É provável que nunca me tenham visto. Eu desço poucas vezes para a multidão da escola. Obscurece a minha visão interior.

                Ninguém abriu a boca a esta extraordinária informação. A professora Trelawney compôs delicadamente o xaile e continuou: – Então vocês escolheram estudar Adivinhação, a mais difícil de todas as artes mágicas. Devo prevenir-vos, já no começo, de que se não tiverem a visão, não poderei ensinar-vos grandes coisas. Os livros só nos levarão longe nesta matéria se …

                Ao ouvir estas palavras, Harry e Ron olharam um para o outro, sorrindo á Hermione que estava estarrecida com a ideia de os livros não poderem ajudá-la naquela matéria.

                – Muitas bruxas e feiticeiros bastante talentosos na área dos sons agudos, dos cheiros e dos desaparecimentos súbitos, mostraram-se incapazes de penetrar nos mistérios velados do futuro – prosseguiu a professora Trelawney com os seus olhos enormes e brilhantes, saltando de um para outro rosto ansioso. É um dom que muito poucos possuem. Tu, rapaz – disse dirigindo-se ao Neville que quase caiu do pouf abaixo. – A tua avó está bem?

                Acho que sim – respondeu o Neville a tremer.

                Eu, no teu lugar, não teria tanta certeza, filho – disse a professora Trelawney com a luz a brilhar nos seus longos brincos de esmeraldas.

                Neville engoliu em seco. A professora prosseguiu tranquilamente: – Abordaremos este ano os métodos básicos de adivinhação. O primeiro período será dedicado á leitura nas folhas de chá. No período seguinte evoluiremos para a quiromancia. A propósito, minha querida – dirigiu-se a Parvati Patil -, cuidado com o homem de cabelos ruivos.

                Parvati olhou de esguelha para o Ron que estava mesmo atrás dela e afastou a cadeira.

                – No período de Verão – continuou a professora Trelawney – passaremos às bolas de cristal, se já tivermos terminado os presságios de fogo, claro. Infelizmente as aulas serão interrompidas em Fevereiro por um surto de gripe em que eu própria ficarei afónica. E, pela Páscoa, um de nós deixar-nos-á para sempre.

                Um silêncio angustiante seguiu-se a esta informação, mas a professora Trelawney pareceu não dar por isso. – Será que poderias, minha filha – pediu a Lavender Brown que estava mais próximo dela e estremeceu na cadeira -, passar-me o bule maior de prata?

                Lavender, com um ar aliviado, levantou-se, retirou o enorme bule da prateleira e pousou-o sobre a mesa em frente da professora Trelawney.

(…)

Categoria ensino secundário: texto nº 8

(…)

-Como é que aguentas?

Sofia acenou-lhe com a mão e prosseguiu. Mas não andara muito quando viu uma rapariga sentada sozinha debaixo de uma árvore grande. A pequena estava vestida com andrajos e parecia pálida e doente. Quando Sofia passou, enfiou a mão num pequeno saco e tirou uma caixa de fósforos.

-Queres comprar fósforos? -perguntou.

-Quanto custam?

Sofia deu a coroa à pequena e ficou imóvel com a caixa de fósforos nas mãos.

-És a primeira pessoa que me compra alguma coisa há mais de cem anos. Às vezes, passo fome, às vezes, fico com frio.

  Sofia pensou que não era de admirar que a pequena não conseguisse vender fósforos no meio do bosque. Mas lembrou-se do homem de negócios rico. A rapariga não tinha necessidade de passar fome, se ele tinha tanto dinheiro.

-Vem comigo – disse Sofia.

Pegou na mão da pequena e levou-a consigo para junto do homem rico.

– Tens de fazer com que esta rapariga tenha uma vida melhor – afirmou.

O homem levantou os olhos dos seus papéis e declarou:

-Isso custa dinheiro, e eu já te disse que não se pode desperdiçar um centavo sequer.

-Mas é injusto que tu sejas tão rico e ela tão pobre – insistiu Sofia.

-Que disparate! Só há justiça entre iguais.

-O que queres dizer com isso?

-Eu venci pelo trabalho e o trabalho deu os seus frutos. Chama-se a isso progresso.

-Vejam só!

-Se não me ajudas, eu morro – disse a rapariga pobre.

O homem de negócios voltou a levantar os olhos dos papéis. Depois, atirou com a pena para a mesa num gesto impaciente.

-Tu não fazes parte da minha contabilidade. Por isso, vai para o asilo.

-Se não me ajudas, incendeio o bosque – disse a rapariga pobre.

O homem só então se levantou da sua escrivaninha, mas a rapariga já tinha acendido um fósforo. Levou-o a alguns tufos de erva seca que se incendiaram imediatamente.

  (…)





5 Minutos de Leitura

26 10 2011

5 Minutos de Leitura

Quinta-feira,  27 de outubro de 2011

 

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Elogio à aprendizagem!

Aprende o que é mais simples!

Para aqueles cujo nome chegou,

nunca é tarde demais.

Aprende o ABC: não basta, mas aprende-o!

Não desanimes!

Tens de assumir o comando!

Aprende, homem no refúgio!

Aprende, homem na prisão!

Aprende, mulher na cozinha!

Aprende, sexagenária!

Tens de assumir o comando!

Procura a escola, tu que não tens casa!

Cobre-te de saber, tu que tens frio!

Tu, que tens fome, agarra o livro: é uma arma!

Tens de assumir o comando!

 

Não tenhas medo de fazer perguntas:

não te deixes levar por convencido,

vê com os teus próprios olhos!

tudo aquilo que não aprendeste por ti,

a bem dizer, não sabes.

verifica a conta, és tu quem a vai pagar!

Aponta o dedo sobre cada parcela,

e pergunta: o que faz isto aqui?

Tens de assumir o comando!

Bertholt Brecht ( 1898-1956)

 

Texto selecionao pela BE