5 Minutos de Leitura

23 03 2012

Sexta-feira, 23 de março de 2012

Páscoa

 

É tempo de Páscoa no Minho florido.

Já se ouvem os trinos dos sinos festeiros

Na igreja vestida de branco vestido,

Entre o verde manso dos altos pinheiros.

 

Caminhos de aldeia, que o funcho recobre,

Esperam, cheirosos,  que passe o compasso

À casa do rico, cabana do pobre…

Já voam foguetes e pombas no espaço.

 

Lá vêm dois meninos, com opas vermelhas,

Tocando a sineta. Logo atrás, o abade

Já trôpego e lento. (As pernas são velhas?

Mas no seu sorriso tudo é mocidade.)

 

Com que unção o moço sacristão, nos braços,

Traz a cruz de prata que Jesus cativa,

Para ser beijada! Enfeitam-na laços

De fitas de seda e uma rosa viva.

 

Um outro, ajoujado ao peso das prendas

(Não há quem não tenha seu pouco pra dar…)

Traz, num largo cesto de nevadas rendas ,

Os ovos, o açúcar e os pães do folar.

 

Mais um outro, ainda, de hissope e caldeira

Cheia de água benta, abre um guarda sol.

Seguem-nos, e alegram céus e terra inteira,

Estrondos de bombos e gaitas de fole.

 

Haverá visita mais honrosa e bela?

Famílias ajoelham. A cruz é beijada.

(Pratos de arroz doce, com flores de canela,

Aguardam gulosos na mesa enfeitada.)

 

Santa Aleluia! Oh, festa maior!

Haverá mais bela e honrosa visita?

É tempo de Páscoa. O Minho está em flor.

Em cada alma pura Jesus ressuscita!

 

 

António Manuel Couto Viana

Texto selecionado pela BE





5 Minutos de Leitura

21 03 2012

Quinta-feira, 22 de março de 2012

Utopia

Utopia? Não digam isso a Paulo Magalhães. “Utopia é continuar a fazer conferências internacionais para baixar as emissões sem alterar as regras”, diz o ambientalista, membro da Quercus, investigador em Sociologia na Universidade Nova de Lisboa e autor do livro “O condomínio da Terra – Das alterações climáticas a uma nova concepção jurídica do Planeta”.

Utopia, sublinha o ambientalista portuense, é pensar que podemos continuar a viver como se o Planeta fosse inesgotável, como se a Amazónia fosse só do Brasil, como se não estivesse tudo ao contrário. “Temos de inverter valores. Uma floresta só entra no PIB de um país quando é transformada em madeira, quando está viva vale zero”, afirma Paulo Magalhães.

Formado em Direito, integra a equipa da associação ambientalista Quercus que está a ultimar a proposta que vai levar à próxima conferência das Nações Unidas sobre Ambiente, a Rio+20. O nome é tudo: esta conferência (que se realiza em Junho de 2012) acontece 20 anos depois da famosa Cimeira da Terra, também no Rio de Janeiro. Foi nessa altura que se abordou pela primeira vez à escala das Nações Unidas a questão das alterações climáticas.

Uma Cimeira de Copenhaga (2009) falhada depois, a economia verde deixou de ser uma ideia para se ir pensando e tornou-se uma urgência. O que a Quercus sugere é que se tome medidas à escala global para mudar o paradigma económico, reorientando o Mundo para a economia verde, à luz de um princípio de justiça universal. Um sistema em que se lucra ao contribuir para o bem comum e se paga pelo prejuízo causado – o chamado eco-saldo.

“Tem de haver um suporte jurídico global que seja a base para esta contabilidade”, refere Paulo Magalhães. No final do processo, a Terra seria gerida como um condomínio, isto é, um lugar que é de todos, com a vigilância das regras a caber a uma Organização Mundial do Ambiente. Isto contraria a competitividade histórica da Humanidade, admite. “O grande desafio deste século é organizar a interdependência ecológica”, refere.

 

                                 Paulo Magalhães

Texto selecionado pela BE





Investigador de Coimbra identifica a partícula mais leve de sempre

21 03 2012
 
O físico teórico da Universidade de Coimbra Eef van Beveren acaba de identificar o “bosão mais leve de sempre”, uma partícula subatómica que resulta das interações nucleares.




Comunhão Pascal

21 03 2012





5 Minutos de Leitura

20 03 2012

Quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia mundial da floresta

Paisagem


Passavam pelo ar aves repentinas,
O cheiro da terra era fundo e amargo,
E ao longe as cavalgadas do mar largo
Sacudiam na areia as suas crinas.

Era o céu azul, o campo verde, a terra escura,
Era a carne das árvores elástica e dura,
Eram as gotas de sangue da resina
E as folhas em que a luz se descombina.

Eram os caminhos num ir lento,
Eram as mãos profundas do vento
Era o livre e luminoso chamamento
Da asa dos espaços fugitiva.

Eram os pinheirais onde o céu poisa,
Era o peso e era a cor de cada coisa,
A sua quietude, secretamente viva,
E a sua exalação afirmativa.

Era a verdade e a força do mar largo,
Cuja voz, quando se quebra, sobe,
Era o regresso sem fim e a claridade
Das praias onde a direito o vento corre.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Texto selecionado pela prof. Silvia Tiago





5 Minutos de Leitura

19 03 2012

Terça-feira, 20 de março de 2012

As memórias do livro

(…) No sabat, o museu é muito calmo. Algumas pessoas dizem que é fantasmagoricamente calmo. Não me incomoda minimamente. Aliás, detesto o barulho provocado pela máquina de polir. Prefiro as horas em que ando de sala em sala a limpar o pó com um pano, silenciosamente. A biblioteca é o espaço que demora mais tempo a limpar. Uma vez, perguntei quantos livros lá havia, e a bibliotecária auxiliar disse-me que eram mais de cem mil, para além dos sessenta milhões de páginas de documentos. É um bom número: dez páginas por cada pessoa que morreu. Uma espécie de monumento em papel para pessoas que não têm lápides.

Quando penso nisso, num livro entre tantos outros, acho que o que aconteceu foi um milagre. Talvez tenha sido mesmo. Há já um ano que andava a limpar o pó daquelas prateleiras. Todas as semanas, tinha por hábito tirar a totalidade dos livros de uma secção e limpá-los por baixo, por trás e por cima. Stela ensinara-me a fazê-lo quando eu tratava das inúmeras estantes do apartamento dos Kamal. De alguma forma, a memória deles e daqueles dias acompanhava-me sempre que eu levava a cabo aquela tarefa. Talvez tenha sido isso que me permitiu ver. Naquele dia, entrei na biblioteca, procurei a secção que tinha limpado na semana anterior e comecei a tirar os livros da secção seguinte. Eram livros mais velhos, na sua maioria, por isso resolvi ter um cuidado especial ao pô-los de lado. De repente, peguei nele. Contemplei-o. Abri-o. E regressei a Sarajevo, ao escritório do êfendi Kamal, com Stela a tremer ao meu lado, consciente, de uma maneira que na altura não compreendia totalmente, de que o êfendi Kamal devia ter feito algo que o assustara. Então, foi como se ouvisse a voz dele: « O melhor sítio para se esconder um livro deve ser numa biblioteca».Fiquei na dúvida. Tanto quanto sabia, o livro devia estar no museu. Mas pareceu-me estranho que um famoso e antigo manuscrito se encontrasse escondido numa qualquer prateleira.

Foi o que lhes disse quando me interrogaram: o bibliotecário-chefe, o diretor do museu e outro indivíduo que eu não conhecia, com aspeto de soldado, mas que parecia saber tudo sobre o livro e sobre Serif Kamal. Eles pareciam não acreditar em mim, no facto de tal coincidência ter realmente acontecido; e quando fico ansiosa, as palavras hebraicas escapam-se-me. Não consegui lembrar-me da palavra peleh, «milagre», e disse simam, que tem mais a ver com «sinal». Mas aquele que se assemelhava a um soldado percebeu-me. Esboçou um sorriso muito amável e virou-se para os outros.

___ Bem, porque não, Kinderlach?

A história daquele livro, da sua sobrevivência, tem estado associada a uma série de milagres. Porque não mais um? (…)

                                 Geraldine Brooks  – As memórias do livro (livro disponível na BE)

Texto selecionado pela BE





5 Minutos de Leitura

18 03 2012

 

 

“O essencial não é aquilo que se fez do homem, mas aquilo que ele faz daquilo que fizeram dele”

Jean- Paul Sartre

A origem do Dia do Pai

Ao que tudo indica, o Dia do Pai tem origem semelhante ao Dia da Mãe, e em ambas as datas a ideia inicial foi praticamente a mesma: criar datas para fortalecer os laços familiares e o respeito por aqueles que nos deram a vida.

Conta a história que em 1909, em Washington, Estados Unidos, Sonora Louise Smart Dodd, filha do veterano da guerra civil, John Bruce Dodd, ao ouvir um sermão dedicado às mães, teve a ideia de celebrar o Dia dos Pais. Ela queria homenagear o seu pai, que viu falecer a sua esposa em 1898 ao dar à luz o sexto filho e que teve de criar o recém-nascido e os outros cinco filhos sozinho.

Já adulta, Sonora sentia-se orgulhosa do seu pai ao vê-lo superar todas as dificuldades sem a ajuda de ninguém. Então, em 1910, enviou uma petição à Associação Ministerial de Spokane, cidade localizada em Washigton, Estados Unidos. Também pediu auxílio a uma Entidade de Jovens Cristãos da cidade. O primeiro Dia do Pai norte-americano foi comemorado a 19 de junho daquele ano, aniversário do pai de Sonora. A rosa foi escolhida como símbolo do evento, sendo que as vermelhas eram dedicadas aos pais vivos e as brancas, aos falecidos.

A partir daí a comemoração difundiu-se para todo o estado de Washington. Por fim, em 1924 o presidente Calvin Coolidge, apoiou a ideia de um Dia dos Pais nacional. Em 1966, o presidente Lyndon Johnson assinou uma proclamação presidencial declarando o terceiro domingo de junho como o Dia dos Pais (alguns dizem que foi oficializada pelo presidente Richard Nixon em 1972).

Em Portugal o Dia do Pai celebra-se a 19 de março, dia dedicado a São José.

Texto retirado de: http://www.portaldafamilia.org/artigos/texto034.shtml

Texto selecionado pela BE