5 Minutos de Leitura

29 04 2014

Quarta – feira, 30 de Abril de 2014

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1º de Maio – Dia do Trabalhador

 

         Em 1886, realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago nos Estados Unidos. Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução do horário de trabalho para 8 horas diárias e teve a participação de milhares de pessoas. Nesse dia teve início uma greve geral nos EUA. No dia 3 de Maio houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de alguns manifestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio dos policiais que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket.

Três anos mais tarde, no dia 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar anualmente uma manifestação com o objetivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1 de Maio de 1891 uma manifestação no norte da França é dispersada pela polícia resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serve para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e meses depois a Internacional Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional da reivindicação das condições laborais. A 23 de Abril e 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adota o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países. Em 1890 a luta dos trabalhadores americanos conseguiu que o Congresso aprovasse a lei que passava das dezasseis para as oito horas diárias de trabalho.

Na maioria dos países industrializados, o 1º de maio é o Dia do Trabalho. Comemorada desde o final do século XIX, a data é uma homenagem aos oito líderes trabalhistas norte-americanos que morreram enforcados em Chicago (EUA), em 1886. Eles foram presos e julgados sumariamente por dirigirem manifestações que tiveram início justamente no dia 1º de maio daquele ano. Em Portugal, só a partir de Maio de 1974 (o ano da revolução do 25 de Abril) é que se voltou a comemorar livremente o Primeiro de Maio e este passou a ser feriado. Durante a ditadura do Estado Novo, a comemoração deste dia era reprimida pela polícia. O Dia Mundial do Trabalhador é comemorado por todo o país, sobretudo com manifestações, comícios e festas de carácter reivindicativo, promovidas pelas centrais sindicais nas principais cidades do país.

 

 

Texto selecionado pela BE

 

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5 Minutos de Leitura

28 04 2014

Terça -feira, 29 de Abril de 2014

 

capa-moda 

Diz-me o que vestes, dir-te-ei quem és

Num mundo onde é cada vez mais fundamental “ estar na moda” e em que os criadores, mas também os atores, os cantores ou até os bloggers fashionistas, ditam tendências à escala mundial é importante refletir como chegámos ao ponto em que hoje estamos. Talvez nunca a forma como nos apresentamos foi tão determinante no modo como somos percecionados pela sociedade mas também nunca como hoje houve tanta liberdade e diversidade para nos vestirmos como quisermos. O século XX transformou a norma que preconizava que a cada estatuto social correspondia um código de vestuário. Coco Chanel celebrizou o vestido preto curto e o tom de pele bronzeado – próprios das classes menos abastadas – e convenceu as senhoras da alta sociedade de que a bijutaria pode ser tão elegante quanto as jóias valiosas. Por outro lado, a produção em série democratizou a moda. As lojas de pronto a vestir passaram a vender massivamente imitações às peças dos grandes criadores. Efetivamente, o século XX foi rico em inovações. Produziram-se centenas de novas ideias e invenções que transformaram de forma definitiva o vestuário feminino. Custa a imaginar que em 1900 as mulheres ainda usavam espartilhos… mas é verdade.

Sabia que, por exemplo, a T-shirt começou por ser, no início do século XX, uma peça de roupa interior masculina e que só passou a ser considerada uma peça de moda a partir da década de 1950 quando começou a fazer parte do vestuário exterior? Consegue imaginar o escândalo que provocou o aparecimento do Biquíni? Na realidade quando foi criado o único modelo que se atreveu a usá-lo era stripper. Sabia que tradicionalmente as mulheres se casavam de azul ou de rosa ou mesmo de uma cor que fosse a sua preferida? A cor branca só se impôs no Ocidente a partir de 1920 e depois de, já em 1840, a jovem rainha britânica Vitória ter optado trocar o seu vestido de ouro e prata por um vestido de cetim branco e renda.

Consegue imaginar algumas das suas peças sem recurso ao fecho éclair ou sem recurso a fibras como o nylon?

 

Texto selecionado pela BE

 

 





5 Minutos de Leitura

26 04 2014

Segunda-feira, 28 de abril de 2014

images

Verás florir o tempo (1974)  

E começava a gente de juntar-se

e tanta que era estranha de se ver.

Não cabiam nas ruas principais

cada um desejando ser primeiro

e todos feitos d´um só coração.

Não sei se a História tem um fio se

não tem. Mas já de Santarém partiu

o Capitão. De negro vem vestido

em cima da Chaimite. Ouves? É o trote

das lagartas. Cavalos e cavalos.

O exército da noite e seus blindados.

Ó com quanto cuidado e diligência

escrever verdade sem outra mistura.

Andava o Povo levantado andando

um Major aos seus homens perguntando:

Adere ou não adere? É só. Mais nada.

E o segundo-sargento perfilando-se:

Há vinte anos que espero este momento.

Verás florir o Tempo. E as armas

desabrochadas: às três da madrugada.

                                           

                                              Manuel Alegre

 

Textos selecionados pelo departamento de Ciências Sociais e Humanas





5 Minutos de Leitura

26 04 2014

Quarta-feira, 24 de abril de 2014

as-portas

A Revolução de Abril na Voz dos Poetas

As Portas que Abril Abriu

(1975)

Era uma vez um país

onde entre o mar e a guerra

vivia o mais feliz

dos povos à beira-terra.

Era uma vez um país

onde o pão era contado

onde quem tinha a raíz

tinha o fruto arrecadado

onde quem tinha o dinheiro

tinha o operário algemado

onde suava o ceifeiro

que dormia com o gado

onde tossia o mineiro

em Aljustrel ajustado

onde morria primeiro

quem nascia desgraçado.

Ali nas vinhas sobredos

vales socalcos searas serras

atalhos veredas lezírias e praias claras

vivia um povo tão pobre

que partia para a guerra

para encher quem estava podre

de comer a sua terra.

Ora passou-se porém

que dentro de um povo escravo

alguém que lhe queria bem

um dia plantou um cravo.

Era a semente da esperança

feita de força e vontade

era ainda uma criança

mas já era a liberdade.

Era já uma promessa

era a força da razão

do coração à cabeça

da cabeça ao coração

Quem o fez era soldado

homem novo capitão

mas também tinha a seu lado

muitos homens na prisão.

Esses que tinham lutado

a defender um irmão

esses que tinham passado

o horror da solidão

esses que tinham jurado

sobre uma côdea de pão

ver o povo libertado

do terror da opressão.

Foi então que Abril abriu a

s portas da claridade

e a nossa gente invadiu

a sua própria cidade.

Disse a primeira palavra

na madrugada serena

um poeta que cantava

o povo é quem mais ordena.

E então por vinhas sobredos

vales socalcos searas serras

atalhos veredas lezírias e praias claras

desceram homens sem medo

marujos soldados “páras”

que não queriam o degredo

de um povo que se separa.

Dizia soldado amigo

meu camarada e irmão

este povo está contigo

nascemos do mesmo chão

trazemos a mesma chama

temos a mesma razão

dormimos na mesma cama

comendo do mesmo pão.

Foi esta força viril

de antes quebrar que torcer

que em vinte e cinco de Abril

fez Portugal renascer.

Quando o povo desfilou

nas ruas em procissão

de novo se processou

a própria revolução.

E o grito que foi ouvido

tantas vezes repetido

dizia que o povo unido

jamais seria vencido.

 

 

Ari dos Santos

Texto seleccionado pelo prof. Teodoro Fonte





5 Minutos de Leitura

22 04 2014

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

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Ei-los Que Partem

 

Ei-los que partem

novos e velhos

buscando a sorte

noutras paragens

noutras aragens

entre outros povos

ei-los que partem

velhos e novos.

Ei-los que partem

de olhos molhados

coração triste

e a saca às costas

esperança em riste

sonhos dourados

ei-los que partem

de olhos molhados.

Virão um dia

ricos ou não

contando histórias

de lá de longe

onde o suor

se fez em pão

virão um dia

ou não.

Manuel Freire

Texto selecionado pelo Departamento de Ciências Humanas e Sociais

 





5 Minutos de Leitura

21 04 2014

Terça-feira,  22 de abril de 2014

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Primavera

Oh, como a Primavera era minha amiga! Tão minha amiga que eu sentia pena de não poder beijá-la agradecido!

Que alvoroço no peito quando no céu surgiam as primeiras andorinhas. A garotada estarrecia-se a olhá-las, e elas, velozes, aos ziguezagues, pareciam dizer:

– Vem aí a Primavera!

Nenhum de nós, por mais traquina, puxava contra elas o elástico da fisga ou trepava ao beiral do telhado para lhes surripiar os ovos. As andorinhas eram sempre bem-vindas, anunciadoras do sol, da fruta madura – que faziam a nossa alegria e liberdade. Era como se a própria natureza se transformasse na mãe que nunca conheci e dissesse:

– Meu filho, cá estou outra vez ao pé de ti! Eu trago-te os dias grandes, a água quente do rio, a vida alegre e feliz com pouca roupa…

Depois chegava o Verão que era ainda mais meu amigo. Era o tempo das férias e dos arraiais…

Quando lá me cruzava com outros rapazes havia palavreado e bulha pela certa: – Ó Pardalito vadio, andas à cata de quem?

E os mariolas faziam coro:

– … Anda à procura do pai que já não sabe da mãe!

Quando lhes ouvia esta resposta, eu ficava furioso…

“Sei lá de quem eu andava à procura! Talvez do sol… de comida… Sei lá!” E quando as senhoras bondosas me perguntavam:

– Tens mãe, pequeno?

– Tenho, pois! – era a minha resposta.

Nunca a conhecera … Mas ter, tinha… – não é verdade?

Pois se os bichos e os pássaros mais estranhos tinham, porque andavam sempre, os malteses, com aquela de eu ser filho das ervas?!

“Parvos!”

 

 

 

Romeu Correia, Bonecos de Luz

Texto seleccionado pela Professora Alcinda Magalhães

 

 





BOA PÁSCOA !

21 04 2014

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