5 Minutos de Leitura

29 01 2016

Sexta feira, 29 de janeiro de  2016

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IOGA  dois – em – um

 

Estivemos uma hora dentro de um insuflável aquecido para perceber porque fazer ioga a 37 graus está a causar tanto furor em Inglaterra. O email recebido na véspera do dia marcado para experimentar o hotpod yoga tornou a coisa definitiva. E até preocupante. Nele, Lucy Crook, a representante da modalidade em Portugal, avisava os inscritos para não comerem uma hora antes da aula, levarem uma toalha, uma garrafa de água e uma muda de roupa. Entre parênteses alertava: “Vão sair de lá mesmo suados!”

Era a segunda vez que o hotpod yoga se mostrava por cá – já dera as cartas durante o campeonato do mundo de surf, em Peniche. Agora estacionara numa das salas do antigo pavilhão do Brasil, na LX Factory. A inglesa Lucy recebe-nos revelando como surgiu esta ideia de fazer ioga dentro de um insuflável em formato iglô. Nick Higgins e Max  Henderson conheceram-se na escola: o primeiro  tornou-se  instrutor,  o segundo um consultor, cético deste tipo de prática. Até ao dia em  que  entrou  num ginásio e se rendeu à ioga  quente (ou Bikram  Yoga, popularizado nos anos 70 no Ocidente, tentando recriar a humidade e o calor da Índia). Com o calor, o corpo torna-se mais flexível e há maior intensidade do trabalho cardíaco. Mas os dois amigos pensaram em descer a temperatura dos exagerados 42 graus, e levar a modalidade a mais pessoas. A ideia explodiu e já há insufláveis em Inglaterra, Amesterdão, Bucareste e África do Sul. Lucy Crook, que vive em  Portugal , decidiu trazê-los até nós.

Abre-se  o fecho e os 10 corajosos que se inscreveram (seis mulheres para quatro homens) entraram numa atmosfera diferente. Se por fora o insuflável  é preto, no interior só há roxo e o barulhinho permanente das máquinas a deitar ar. Os radiadores de calor parecem a mais. Mas, aos poucos, habituamo-nos. Mafalda Sousa , 34 anos, começa a aula e pensa: “Ainda bem que a lotação (20) não está esgotada  ou ficaríamos muito apertados.” E logo olhamos para o braço esticado do companheiro do lado, quase a tocar no teto do iglô. Como não existem espelhos e a luz é ténue não temos espaço para distrações. A instrutora não pára, mudando de poiso consoante nos viramos para um dos quatro lados do insuflável, (no final, esvazia-se e mete-se dentro de uma mala num quarto de hora). Ao fim de vinte minutos, e assim que as posições o permitem, começamos a tirar a roupa: o tal suor prometido é já evidente. E lá vêm os pensamentos outra vez: “É um dois-em- um. Uma aula e uma sauna.” Quando, já nos últimos minutos do relaxamento, Mafalda nos pressiona as têmporas para ajudar a aliviar a tensão, ficamos rendidos.

Revista  “VISÃO”

Texto selecionado pela BE





5 Minutos de Leitura

28 01 2016

Quinta feira,  28  de  janeiro de 2016

La-proteccion-de-los-oceanos-nos-concierne-a-todos

DEPOIS DA TEMPESTADE VEM A TEMPESTADE

Em ano de El Niño, tudo pode acontecer. Até um dos surfistas mais destemidos do mundo pode ser derrotado por uma onda. Aconteceu na semana passada ao “nosso” Garrett McNamara, que Já enfrentou na Nazaré uma parede de 30 metros. Na Califórnia, McNamara, 48 anos foi derrubado por uma vaga de 15 metros, deu três cambalhotas e levou com uma torrente de água em cima, que lhe partiu o ombro. Mais do que a dimensão da onda, os entendidos que analisaram o vídeo da queda falaram de um mar agitado, inquieto, imprevisível. Cortesia do El Niño, alegam os surfistas que assistiram ao tombo.

O El Niño é um fruto que se semeia na primavera, ganha força no Outono e surge em todo o seu explendor por altura do Natal (daí o nome, em espanhol, em honra do Menino Jesus). Este fenómeno meteorológico afeta o mundo inteiro, mas os efeitos mais fortes sentem-se nos países pelo Pacífico, onde se forma. Em condições normais, os ventos sopram das Américas para o Pacífico Ocidental, armazenando calor nesta região. Cria-se assim uma diferença de temperatura, com a costa do continente americano mais fria do que a Austrália, a Indonésia e as Filipinas, do outro lado do oceano. Até que, a dada altura, o fluxo se inverte, supõe-se que devido a um enfraquecimento dos ventos. E aí temos seca em países como a Indonésia e a Austrália, enquanto no aequador e no Peru, Que sofrem normalmente com a falta de àgua, há chuvas torrenciais. “ Um El Niño muito intenso domina completamente, de modo global. Torna-se num fator preponderante, causando anomalias que se estendem para lá dos trópicos”, sublinha o diretor do Departamento de Metereologia e Geofísica do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Pedro Viterbo. Apesar de já estar na fase descendente, não se prevê que dê tréguas até ao final do inverno. Para Portugal, isto pode querer dizer calor e chuva, apesar de ser difícil estabelecer uma relação direta entre o fenómeno eas condições metereológicas em países fora da alçada do Pacífico. Uma coisa é certa: com ou sem El Niño, o clima está cada vez mais imprevisível. E quente – Dezembro foi o segundo com as temperaturas mais elevadas no nosso país desde que há registos fiáveis (1931) sendo o sexto mais seco. (…)

Revista Visão – Luís Ribeiro e Sara Sá

Texto selecionado pela BE





5 Minutos de Leitura

28 01 2016

Quarta feira, 27 de janeiro de 2016

images

Tratado das Paixões

E agora, dona Fernanda? O seu marido morreu, o seu cão morreu, o seu filho vive na Suíça e não atende o telefone, a sua amiga Prazeres cortou relações consigo, convencida que a senhora andava a catrapiscar-lhe o marido, o médico não pára de avisá-la

– Atenção às gorduras

A desenhar círculos à volta dos resultados das análises, tirando os óculos no fim para suspirar melhor, a bater com a ponta da esferográfica num dos números

– Ai dona Fernanda, dona Fernanda

Competente, amável, preocupado, por acaso viúvo também visto que duas alianças juntinhas num dedo e a roupa descuidada, às vezes com nódoas que nenhuma esposa consentiria, sem mencionar a falta de graxa nos sapatos, a senhora com vontade de responder-lhe

-Ai senhor doutor, senhor doutor

ao olhar-lhe as biqueiras, um homem não muito velho, nem sequer feio por acaso, que, a avaliar pelas pestanas, deve ter sido um bebé lindo antes de se transformar num adulto assim assim, um aperto de mão à entrada, um aperto de mão à saída acompanhado pelas palavras

– Ali ao balcão marque para outubro

Já quando a senhora, dona Fernanda, a agarrar no puxador lembra-lhe as gorduras

– Cuidado com isso

A senhora a pensar que se fosse ela a médica e ele o doente lhe receitava uma bisnaga de graxa e um pano para avivar o brilho ao cabedal, uma das empregadas ao balcão a folhear outubro na agenda

-Tenho dia onze e dia vinte e sete, dona Fernanda (…)

Revista Visão – António Lobo Antunes

 

Texto selecionado pela BE





5 Minutos de Leitura

26 01 2016

Terça feira, 26  de Janeiro de 2016

 antartida

Gronelândia

A subida da temperatura global pode estar a afetar a camada de gelo da Gronelândia – e a sua contribuição para o aumento do nível médio do mar – de uma forma mais grave do que os cientistas imaginavam, revela um novo estudo. As alterações recentes no gelo parecem ter afetado a sua capacidade de armazenar o excesso de água, o que significa que uma maior quantidade de gelo derretido poderá estar a ir para o oceano. Os cientistas dizem que a camada de gelo da Gronelândia já perdeu mais de 9 biliões de toneladas de gelo no último século – e a rapidez do derretimento continua a aumentar à medida que as temperaturas vão subindo. A agência espacial norte-americana NASA estima que a camada de gelo da Gronelândia está a perder anualmente cerca de 287.000 milhões de toneladas, em parte por causa do derretimento superficial e em parte por causa de pedaços de gelo que se partem dos glaciares e caem para o oceano. Como esta enorme camada de gelo tem o potencial de aumentar bastante o nível médio do mar (se todo o gelo da Gronelândia derretesse, o nível médio do mar subiria cerca de sete metros), os cientistas têm estado especialmente atentos ao seu comportamento e aos fenómenos que podem acelerar o seu derretimento.(…)

Jornal Público- jan 2016

 

Texto selecionado pela BE

 





5 Minutos de Leitura

23 01 2016

Segunda feira, 25 de Janeiro de 2016

 flor entre pedras

Feliz só será

 

Feliz só será

A alma que amar.

“Star alegre

E triste,

Perder-se a pensar,

Desejar

E recear

Suspensa em pensar,

Saltar de prazer,

De aflição morrer

  • Feliz só será

A alma que amar.

 Johan Wolfgang Goethe

 

Texto selecionado pela BE

 





5 Minutos de leitura

22 01 2016

Sexta feira, 22 de Janeiro de 2016

Rua de Bonjóia 

A lenda da fonte de Bonjoia

Na rua de Bonjoia, na freguesia de Campanhã, mesmo debaixo de viaduto da VCI, existem ruínas, por sinal muito maltratadas, de uma antiquíssima fonte a que anda ligada uma curiosa lenda que remonta ao séc XVIII. Conta-se que no ano de 1742 a cidade do Porto esteve sob os efeitos de uma longa estiagem. Mas onde os efeitos nefastos da seca mais se fizeram sentir foi na freguesia de Campanhã. Como já haviam feito, em anteriores ocasiões de seca, os moradores daquela paróquia arrabaldina organizaram uma procissão ad pluviam, ou seja, para pedir chuva, levando ao centro da cidade a imagem de Nossa Senhora de Campanhã.

E o milagre aconteceu… no regresso. Quando a procissão se preparava para recolher à igreja matriz, ao passar no sítio de Bonjoia, que ficava, naquela altura, à margem da estrada que ia do Porto para Fânzeres, em Gondomar, a imagem da padroeira, inesperadamente, caiu do andor e foi bater com força numa fraga que havia na margem do caminho. No sítio do penedo onde a imagem bateu, abriu-se uma brecha e dela começou imediatamente a jorrar água límpida e em abundância. A imagem de Nossa Senhora que se venera no seu altar da igreja paroquial tem um braço “encastoado” e o povo diz que o braço se partiu quando a imagem caiu sobre a fraga de Bonjoia.

Germano Silva

Texto selecionado pela BE

 





5 Minutos de leitura

21 01 2016

 

Quinta feira, 21 de  de Janeiro de 2016

 dia internacional da agua

Porque é a água essencial para a existência de vida?

 

Um dos mais recentes anúncios que depositou esperança na possibilidade de encontrar vida noutros planetas, foi a revelação de que poderá existir água em estado líquido em Marte. Anteriormente considerado árido, o planeta tornou-se foco de discussão e investigação, e a água é uma das razões. Porque desde que os cientistas começaram a investigar a origem dos seres vivos descobriram que foi através da água que conseguiram sobreviver, sobretudo em estado líquido. Composta por dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio, essa origem deve-se ao facto de ser um solvente universal. Ou seja, através da água, é possível existir uma “comunicação” entre as células e os restantes micro-organismos que as rodeiam. Como acontece com o corpo humano: os nutrientes entrem no corpo em estado sólido (os alimentos), e são dissolvidos em água para serem transportados pelas células.A sua composição facilita ainda uma série de reações químicas que se  mostram necessárias para a proliferação de vida.

Além disso, desempenha uma importante função na regulação de temperatura, seja no corpo humano, por exemplo, como no próprio planeta. No caso dos humanos, as toxinas do corpo são expelidas em forma de suor, líquido, regulando a nossa temperatura; no planeta, os oceanos são responsáveis por captarem muito do calor recebido pelo Sol, para que a temperatura se mantenha estável.

Os cientistas não estão só à procura de água em estado líquido nos outros planetas: parte da investigação tenta também procurar outros líquidos que sejam solventes universais e que permitam a propagação de vida. Dois deles são o amoníaco e o metano (que inclusivamente existe na lua de Saturno Titã).

E mesmo seres vivos que não precisem de água para sobreviver estão a ser procurados. No entanto, existe uma certeza: caso existam, na Terra ou noutro planeta, deverão ser muito diferentes do tipo de seres que hoje conhecemos.

 

Revista Quero Saber

 

Texto selecionado pela BE