A Ancorensis Cooperativa de Ensino deseja a todos uma Páscoa feliz!

24 03 2015

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5 Minutos de Leitura

18 03 2015

Quinta-Feira,  19 de Março de 2015

 dia-do-pai-portugal

Tributo ao pai

Foste simples, banal,

Bom, com defeitos, jovial,

E tão pegado à vida,

Que ainda, velho, velho, a não podias crer vivida.

Viveste para as coisas deste mundo,

Que seria melhor

Se o pudesses fazer conforme o teu humor.

Não é por ser teu filho que sou triste,

Demoníaco, angélico, diferente,

Descontente, nevrótico, perverso.

Mas se algo, em mim, resiste

De humildemente humano,

Amigo de viver conforme vai

Vivendo a gente consoante o ano…

A ti o devo, pai !

A ti o devo, se nasci.

E a ti o devo, se inda não morri.

José Régio (Colheita da tarde)

Texto selecionado pela BE





5 Minutos de Leitura

17 03 2015

Quarta feira, 18 de março de 2015

LIVRO BRABULETA

O livro

 

É então isto um livro,

Este, como dizer? Murmúrio,

Este rosto virado para dentro de

Alguma coisa escura que ainda não existe

Que, se uma mão subitamente

Inocente a toca,

Se abre desamparadamente

Como uma boca

Falando com a nossa voz?

É isto um livro,

Esta espécie de coração (o nosso coração)

Dizendo “eu” entre nós e nós?

 

Manuel António Pina

Texto selecionado pela BE





5 Minutos de Leitura

16 03 2015

Terça feira, 17 de março de 2015

quentinarvore

AS ÁRVORES E OS LIVROS

As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».

É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.

 

Jorge Sousa Braga

 

Texto selecionado pela BE

 





5 Minutos de Leitura

15 03 2015

Segunda feira, 16 de março de 2015

livro

MEUS QUERIDOS ANALFABETOS

 

Sorrio sempre que alguém diz: “ Não gosto de ler.” Todo o homem é um leitor. Lê imagens, sinais, signos e palavras. Lê a linguagem das nuvens e sabe que vai chover. Lê a linguagem dos pássaros, a das cabras, a das águas, lê todas as linguagens da natureza. Lê as linguagens que se lêem com a vista, com o olfato, com o sabor, com o ouvido, com a pele. Para sobreviver na selva ou na tundra, os nossos antepassados dos tempos pré-históricos tinham de ser muito bons leitores. A esta capacidade original de ler veio juntar-se a capacidade de nomear através da palavra. Esse foi um primeiríssimo ato mágico e maravilhoso, fundador da história da humanidade. (…)Segundo o poeta e ensaísta alemão Hans Magnus esse era e é o poder dos analfabetos primários, o analfabeto clássico não sabe ler nem escrever, precisa da memória, e tem de exercer a capacidade de narrar. Foram analfabetos que pegaram na palavra e inventaram a literatura nas suas formas elementares, o mito, o conto, a canção, e as rimas infantis. E é com esses instrumentos que os analfabetos se relacionam consigo próprios, com os outros, com o mundo, com o correr do tempo. Há que lembrar que sem tradição oral não haveria poesia, não haveria livros. A escrita levou tempo a fazer a sua entrada em cena. No entanto, inventada a escrita, durante muito tempo foi considerado preguiçoso aquele que tivesse o hábito de recorrer ao livro, já que, segundo Platão, a sabedoria na sua dialética tinha de ser oral. (…)

A verdade é que a escrita foi uma tecnologia que levou tempo a desenvolver-se e ser utilizada integral e proficuamente pelo pensamento filosófico e científico, e bastante mais tempo ainda a entrar no quotidiano como um instrumento generalizado da relação individual e digamos, poética com o mundo, para além da sua função de relatar o real. (…) Todos nós somos feitos do que vivemos, do que lemos, do que imaginamos e do que escrevemos. Como leitores, preservamos pedaços de pensamento, da emoção vivida ou escrita por outra pessoa para nos tornarmos nós próprios em participantes de um ato de criação, uma forma de diálogo que desenvolvemos com o mundo e com o tempo. Tempo dominado por uma economia que mata, uma economia que reduz o entendimento da complexidade do mundo, que vê a cultura como mercadoria e a ciência como estrito instrumento prático. (…) A figura que há tempo domina a cena social é a do “ analfabeto secundário”. Pode ser um ministro, um gestor, uma empregada de caixa de supermercado. Sabe ler e escrever, mas diz com frequência que não tem tempo para ler, tem coisas mais importantes para fazer. É ativo, adaptável, tem boa capacidade para abrir caminho, safa-se na vida. Está muito bem informado sobre os importantíssimos assuntos do dia que amanhã esquecerão. Sabe ler as informações de uso dos objetos que compra. Sabe usar os cartões de crédito e sabe passar cheques. Vive dentro de um mundo que o afeta hermeticamente de tudo quanto possa inquietar a sua consciência. A atrofia da memória não o preocupa. Aprecia a sua própria capacidade para se concentrar em nada. Vê a cultura como espetáculo ou mercadoria. Não tem a menor ideia de que é o analfabeto, analfabeto secundário, mas analfabeto. A sua escrita está reduzida ao mínimo. O seu meio ideal é a televisão, as redes sociais, o SMS. Habita o território do lugar comum e alimenta-se de doses fartas das “ reflexões” de comentadores, políticos, económicos, desportivos e outros produtores do pensamento único.

 

Jornal Público (José Fanha – poeta, escritor e comissário do 1º encontro da Literatura Infanto-Juvenil da Lusofonia).

 

Texto selecionado e adaptado pela BE





Comunhão Pascal

15 03 2015

A Ancorensis convida toda a comunidade escolar a participar na Comunhão Pascal, que se realizará no dia 19 de março pelas 19 horas, na Capela da Sra. da Bonança.

Publicação1





Programa da Semana da Leitura

15 03 2015

16 de março de 2015

09h30 – Atuação do Grupo de Bombos da Ancorensis – Escola

Abertura da Feira do Livro – Biblioteca Escolar

10h40 às 10h55 – ”Gritar a Poesia” – Bar; BE; Recreio; Campo de jogos

10h55 – Abertura da Exposição de Pintura – Sala A4/A5

12h00 às 14h00 – “Leitura com Sabores” – Cantina

15h10 às 15h20– ”Gritar a Poesia” – Bar; BE; Recreio; Campo de jogos

 

17 de março de 2015

10h40 às 10h55 – ”Poesia com Mímica” – Bar

10h55 – À conversa com o Dr. Francisco Sampaio – “Potencialidades Turísticas do Alto-Minho” – Auditório

12h00 às 14h00 – “Leitura com Sabores” – Cantina

15h20 – Coreografia da dança “ – Auditório

Dramatização – “A História do PI” – Auditório

 

18 de março de 2015

08h30 às 13h05 – “Workshop das Cores” – Biblioteca Escolar

12h00 às 14h00 – “Leitura com Sabores” – Cantina

14h30 – Concurso de Soletração – Auditório

 

19 de março de 2014

09h40 – Encontro com o escritor Rui Basto – Auditório

12h05 às 13h05– ”Momentos de Teatro” – Auditório

12h00 às 14h00 – “Leitura com Sabores” – Cantina

15h20 às 16h20 – “Momentos de Teatro” – Auditório

19h00 – Celebração da Comunhão Pascal – Capela Nª Sra. da Bonança

 

20 de março de 2014

09h00 – “Instantâneos de Literatura” – Caminhada literária pelas ruas de Vila Praia de Âncora

12h00 às 14h00 – “Leitura com Sabores” – Cantina

 

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“Um livro é como uma janela. Quem não o lê, é como alguém que ficou distante da janela e só pode ver uma pequena parte da paisagem” – Khalil Gibran