1 de Outubro – Dia Mundial do Idoso

30 09 2010
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5 Minutos de Leitura:O Regicídio e a Queda da Monarquia

30 09 2010

 5 Minutos de Leitura

Sexta-feira, 1 de Outubro

 

O Regicídio e a Queda da Monarquia

 

No início do século XX, o sistema político do rotativismo, que fazia alternar no poder Regeneradores e Progressistas, entrava definitivamente em crise. À incapacidade dos partidos tradicionais em resolverem velhos problemas juntavam-se agora divisões internas. Entre os Regeneradores, o homem forte do partido, João Franco, rompe com a direcção e os seus colegas de partido no poder. Com mais cerca de trinta deputados, vem a formar,em 1903, um novo partido.

Em meados de 1906 com a queda do último ministério regenerador João Franco é chamado ao poder.

Para os republicanos, a intervenção política do rei nas Cortes tornavam D.Carlos num adversário a abater. O pretexto para o ataque ao monarca surgiu a propósito da questão dos adiantamentos à Casa Real. A questão era a seguinte: sendo destinadas verbas do orçamento de Estado para a manutenção da Casa real (que não sofriam qualquer alteração há mais de 80 anos) era costume o governo adiantar certas somas por conta dos anos seguintes. Foi o próprio João Franco que, inadvertidamente, ao falar em público do assunto no Parlamento, provocou, com isso, uma onda de indignação que se estendeu a todo o país.

Em Maio de 1907 o Parlamento foi encerrado, passando o poder legislativo para o governo. Com o apoio de D. Carlos, João Franco passou então a governar em ditadura. O clima político degrada-se ainda mais e conspira-se abertamente contra o regime e o rei.

No início de 1908 D. Carlos está na sua propriedade de Vila Viçosa, de onde regressa à capital no dia 1 de Fevereiro. Acompanham-no a rainha D. Amélia e os príncipes D. Luís Filipe e D. Manuel.

Ao chegar ao Terreiro do Paço tomam uma carruagem aberta que os deve levar ao paço. Poucos metros volvidos, um homem aproxima-se do monarca e, com dois tiros à queima-roupa, mata o rei. Outro atirador dispara também mortalmente sobre o filho mais velho, D. Luís Filipe. Escapa incólume a rainha e D. Manuel ferido num braço.

Os dois regicidas são mortos pela guarda no local, sendo depois identificados, mas ficam dúvidas sobre a existência de outros conspiradores, tanto mais que o processo criminal acabou por desaparecer.

D. Manuel tinha apenas 19 anos quando foi chamado à sucessão no trono após o assassinato do pai e do irmão mais velho, em 1908. Segundo alguns, o plano inicial dos regicidas consistia em matar João Franco, mas como não o tinham encontrado, o alvo acabou por ser o próprio rei D.Carlos. A sua morte, em condições trágicas, provocou, ainda assim, mais surpresa do que pesar. O rei era admirado mesmo pelos seus inimigos, tinha trabalhos académicos reconhecidos no domínio da oceanografia e as suas pinturas eram devidamente apreciadas, mas era um rei distante que não causava a empatia de outros antecessores.

O jovem D. Manuel II, talvez consciente dessa situação, procurou uma maior aproximação popular. Fez assim várias viagens pelo país e chegou a ganhar alguma popularidade. No entanto, isso já não era suficiente. As divergências políticas mantinham-se mesmo depois da saída de João Franco, a quem a maior parte responsabilizava pelos acontecimentos.

Entre os republicanos, a confiança numa rápida mudança de regime aumentava. Ainda assim, entre os dirigentes, as opiniões dividem-se. Alguns, poucos, desejavam a mudança a todo o custo, mesmo com recurso a organizações civis armadas, como era o caso da Carbonária, uma associação secreta que participou na morte do rei; outros, em maior número, preferiam a acção política de propaganda nos comícios e jornais.

Sinal da ascensão republicana, nas eleições de 5 de Abril de 1908 para a Câmara Municipal de Lisboa, os lugares foram todos ocupados pelos vereadores republicanos. A contestação ao governo cresce e, no final do ano, este acaba por demitir-se.

Os governos que se seguem em 1909 e 1910 têm curta duração, prosseguindo as intrigas político-partidárias na disputa pelo poder. Quem continua a beneficiar são os republicanos, que pensam na tomada do poder.

 

in O 5 de Outubro de 1910 explicado aos jovens, Carlos Rebelo, Plátano Editora, 2010, pp. 16-19

 

Texto seleccionado pelo grupo disciplinar de História 





1 de Outubro – Dia Mundial da Música

30 09 2010




A Revolta de 31 de Janeiro de 1891

29 09 2010




5 Minutos de Leitura:A Revolta do Porto de 31 de Janeiro de 1891

29 09 2010

5 Minutos de Leitura

Quinta-feira, 30 de Setembro

A Revolta do Porto de 31 de Janeiro de 1891


Terra com antigas tradições liberais, o Porto foi também um importante centro de difusão das ideias republicanas e a cidade que elegeu o primeiro deputado republicano às Câmaras, José Joaquim Rodrigues de Freitas, em 1878.

No dizer de dois participantes na revolta do Porto de 31 de Janeiro, o Ultimato de 1890 foi a causa única da revolta. O acontecimento, sentido com grande indignação em todo o país, gerou uma onda de contestação ao governo, ampliada pela linguagem violenta da imprensa e pela propaganda republicana.

Mas não foi apenas o povo que se manifestou conta a incapacidade do regime em lidar com a situação. Também o exército se sentiu ofendido no seu orgulho. Em Lisboa, soldados vieram para a rua partilhar a indignação com os populares, enquanto alguns oficiais se pronunciavam publicamente contra os políticos. Em resposta, o governo regenerador no poder enveredou pelo caminho da repressão, transferindo de serviço os mais contestatários. O ambiente tornou-se assim favorável a um confronto armado.

No Porto, jovens militares conspiram desde Agosto de 1890, estando prevista uma revolta com distribuição de armas à população. O grupo dos sargentos era o mais activo, dispondo de dois importantes instrumentos de propaganda escrita, O Sargento e a Vedeta.

Para a revolta de 31 de Janeiro contava-se com a participação popular. Existia mesmo um directório civil, onde se destacavam o advogado Alves da Veiga e os jornalistas João Chagas e Sampaio Bruno. O comando militar estava a cargo do capitão António do Amaral Leitão.

No entanto, a preparação do plano deixou muito a desejar. As tropas, amotinadas por alguns sargentos, acabaram por sair tarde dos quartéis, o que permitiu às forças fiéis ao governo tomar conhecimento dos factos e organizar a resistência. Também o esperado apoio popular se limitou a algumas camadas populares, enquanto o partido republicano e a sua direcção, em Lisboa, se mantiveram cautelosamente à margem dos acontecimentos.

Quando às sete horas da manhã o Dr.Alves da Veiga proclamou a República às janelas da Câmara Municipal, perante 800 soldados sublevados e os pulares ali concentrados, já as tropas da guarda municipal, fiéis ao governo, estacionadas ao alto da Rua de Santo António (actual 31 de Janeiro), aguardavam a passagem dos revoltosos. Por isso, quando estes se dirigiam para a Praça da Batalha começou o tiroteio. Enquanto a maior parte debandava, o alferes Malheiro ainda resistiu com um grupo de sargentos durante cerca de hora e meia. Tiveram no entanto de ceder à superioridade da artilharia governamental. No final da revolta, alguns implicados conseguiram fugir para Espanha, enquanto outros acabaram presos, sendo condenados a penas de prisão e degredo para África. Fracassava assim a primeira tentativa de derrube da monarquia, mas a semente estava lançada.

in O 5 de Outubro de 1910 explicado aos jovens, Carlos Rebelo, Plátano Editora, 2010, pp. 14-15

Texto selecionado pelo grupo disciplinar de História





Retrato de Portugal de 1890 a 1910

28 09 2010




5 Minutos de Leitura:A Difusão das Ideias Republicanas

28 09 2010

5 Minutos de Leitura

Quarta-Feira,  29 de Setembro de 2010

 

A Difusão das Ideias Republicanas

 

            A ideia de um regime político em que os órgãos de poder são eleitos livremente pela população por um determinado período de tempo é muito antiga. No entanto, o republicanismo enquanto doutrina claramente definida surgiu apenas em meados do século XIX.

       Em Portugal, o primeiro grande difusor do republicanismo foi José Félix Henriques Nogueira, na década de 1850. As suas ideias políticas, inspiradas em parte em Alexandre Herculano, valorizavam o papel dos municípios e a descentralização administrativa, mas receberam também outras influências, sobretudo do associativismo. Nas décadas seguintes, autores como Teófilo Braga, Basílio Teles e Sampaio Bruno retomaram os ideais republicanos. Acontecimentos externos como o triunfo da República em França (1870) e Espanha (1873-1874) constituíram também factores de projecção da nova ideologia.

            A acção do Partido Republicano caracterizou-se inicialmente pelas suas actividades pedagógicas e de propaganda, levadas a cabo através de alguns jornais e de iniciativas promovidas pelos centros republicanos.

            A partir de meados dos anos 80, a confiança numa evolução política natural começa a diminuir. É então que alguns começam a encarar a revolução como solução para a mudança de regime. Mas é o Ultimato inglês de 1890 que traz maior visibilidade aos republicanos. António José de Almeida e Afonso Costa, estudantes em Coimbra na época, lançam então na imprensa violentos ataques contra a monarquia. A vontade em substituir o regime pela força manifesta-se mais no Centro e Norte do país do que em Lisboa, onde se encontrava a direcção do Partido Republicano.

            A partir de 1900, torna-se clara uma aproximação da Maçonaria, aos republicanos. A maior parte dos maçons identificava-se com os ideais republicanos e são eles que dinamizam a Carbonária, cuja acção irá ser muito importante no sucesso da revolução.

in O 5 de Outubro de 1910 explicado aos jovens, Carlos Rebelo, Plátano Editora, 2010, pp. 10-11

 

Texto seleccionado pelo Grupo de História