30 11 2015

5 Minutos de Leitura

Segunda feira,  30  de novembro de 2015

2015-11-19-corpo

A BATALHA PELA PERFEIÇÃO – PORQUE ESTAMOS TODOS NELA?

 

“Não tenha medo da perfeição. Você nunca vai atingi-la.” Palavra de artista. Salvador Dalí, que também era escultor e foi imortalizado pela qualidade plástica das suas obras surrealistas, pintava quadros sem a menor preocupação estética. Num deles – A Persistência da Memória (1931) – há relógios que derretem e ilustram a passagem do tempo. Quase um século depois, os avanços da medicina estética e da indústria do antienvelhecimento (leia-se, luta contra a decadência biológica) ampliaram os limites do sonho e o mito da perfeição, à escala global. Os 40 são os novos 30 e os 50 os novos 40, num frenesim em contrarrelógio, apenas comparável ao dos mercados bolsistas. Cada corpo, sua cotação. Como conseguem as estrelas do grande ecrã, Tom Cruise e Sharon Stone por exemplo, manter o seu look intemporal? Seremos, uns mais que outros, reféns da herança genética? Até que ponto dependemos de procedimentos médicos especializados para não soçobrar aos preconceitos (de género e idade, sobretudo no feminino) contra os quais se lutou tanto nas últimas décadas? Há quatro anos, a atriz EmmaThompson desabafava ao jornal britânico The Telegraph: ” Não percebo porque temos uma sociedade em que todos precisam  de parecer ter 30 aos 60 anos.” Paradoxalmente, não se trata apenas de parecer mais jovem, mas  de ter atributos físicos competitivos como tática de sobrevivência social e as novas gerações sabem disso:  os ìcones  jovens exibem  aos seus fãs, sem tabus, mudanças estéticas fabricadas à medida (…) Investir já hoje na manutenção, porque depois talvez já seja tarde demais, é uma prática que está a acontecer no final da adolescência, sem esperar pelas marcas de expressão e preservar o ‘look natural’, o que quer que isso signifique  na cabeça de cada um.  Segue-se  o realce de atributos  físicos com retoques de bisturi, quase tão banal como ir ao ginásio, seguir a dieta cientificamente comprovada ou fazer branqueamento dentário. (…)

Investir na imagem é comum no início da idade adulta.  “Jovens de 18 anos vão acompanhadas pelos pais  porque querem ter mais peito para se sentirem melhor na sua pele”, adianta Tiago Baptista Fernandes. Nos últimos anos deu-se o boom das técnicas de rejuvenescimento facial, com destaque para as aplicações de botox. Alicerçada na publicidade, nos programas de televisão com especialistas, blogues, fóruns e sites, a revolução dos corpos saiu à rua. Fala-se dos lábios de A, pede-se ao doutor o nariz de B, deseja-se aumentar duas copas no peito e deixar de lado as esponjas do wonderbra. Em terras lusas, as figuras públicas com « uma certa idade» dividem-se entre a reserva e a apologia de manter  hábitos salutares.(…)

A pergunta que vale milhões: qual é o limite?…  

Revista  VISÃO

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27 11 2015

Sexta feira, 27 de novembro de 2015

 

Nespresso1

Reciclagem de cápsulas de café garante 67 toneladas de arroz.

A campanha Reciclar é Alimentar já doou 3,8 milhões de refeições ao Banco Alimentar Contra a Fome, desde 2010. As borras de café das cápsulas recolhidas são integradas num composto agrícola, utilizado na fertilização de terrenos de cultivo de arroz no Alentejo. Depois de colhido, o arroz é embalado e doado ao Banco Alimentar Contra a Fome.Este ano, a reciclagem das cápsulas de café da Nespresso rendeu 67 toneladas de arroz ao Banco Alimentar Contra a Fome, o equivalente a mais de 1 milhão de refeições.

Atualmente, existem mais de 270 pontos de recolha espalhados pelo país.

O sucesso da iniciativa, criada pela Nespresso Portugal, tornou-a num case study internacional. Espanha já adotou o projeto. Em breve, outros países europeus deverão seguir o exemplo.

Desde o início da campanha, em 2010, já foram doadas 190 toneladas de arroz, o equivalente a 3,8 milhões de refeições.

A campanha de recolha de alimentos nos supermercados do Banco Alimentar realizou-se no fim de semana passado mas, até 8 de dezembro, as pessoas podem continuar a contribuir através da campanha Ajuda Vale, comprando nas caixas de supermercado vales com códigos de barras correspondentes aos alimentos doados.

A plataforma http://www.alimentestaideia.net permite doar alimentos à distância. Além de escolher, individualmente, os alimentos doados, também é possível oferecer um cabaz no valor de 9,82 euros. O site permite, ainda, escolher o Banco Alimentar onde será entregue o donativo.

http://visao.sapo.pt

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26 11 2015

Quinta feira,   26  de novembro de 2015

pequeno-principe 

O ESSENCIAL É INVISÍVEL AOS OLHOS

– Vai ver outra vez as rosas. Compreenderás que a tua é única no mundo. Quando voltares para me dizeres adeus, faço-te presente de um segredo.

O principezinho foi ver outra vez as rosas.

-Vocês não são nada parecidas com a minha rosa; Ainda não são nada, disse-lhes ele. Ninguém vos cativou, nem cativaram ninguém. Vocês são como era a minha raposa. Mas fiz dela minha amiga e agora é única no mundo.

As rosas ficaram muito aborrecidas.

– Vocês são belas, mas vazias, disse-lhes ainda o principezinho. Ninguém vai morrer por vocês. É certo que, quanto à minha rosa, qualquer vulgar transeunte julgará que ela se vos assemelha. Mas, sozinha, ela vale mais do que vocês todas juntas, porque foi ela que eu reguei. Porque foi ela que eu pus numa redoma. Porque foi ela que abriguei com um biombo. Porque foi por causa dela que matei as lagartas (exceto duas ou três para as borboletas). Porque foi ela e só ela que ouvi lamentar-se ou gabar-se, ou mesmo, por vezes calar-se. Porque é a minha rosa.

E voltando para junto da raposa:

– Adeus, disse ele.

– Adeus, disse a raposa. Vou dizer-te o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

– O essencial é invisível para os olhos,  repetiu o principezinho, a fim de se recordar.

– Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.

– Foi o tempo que perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se recordar.

– Os homens esquecem esta verdade. Mas tu não deves esquecê-la. Ficas para sempre responsável por aquele que cativaste. És responsável pela tua rosa.

– Sou responsável pela minha rosa, repetiu o principezinho, a fim de se recordar.

 

Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho

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25 11 2015

Quarta feira,  25  de   novembro  de  2015

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Fizeste-me chorar

Quando as pessoas são apanhadas numa daquelas mentiras tão grandes, antigas, malvadas e evidentes que não há maneira de negá-las, uma das coisas que fazem é entrar num pranto, irromper a chorar e, num espetáculo de autenticidade, pedir desculpa, com a conversa obrigatória (mas igualmente mentirosa) de saber que não se merece ser desculpado.

Pelo menos nos filmes é assim. O mentiroso (ou ator) dispõe de uma preciosa vantagem: o sofrimento que fisicamente demonstra, de aflição, arrependimento e pena não precisa de ser fingido. Vamos supor que eu sou o mentiroso apanhado. Perante a prova dos factos, admito que sim, que menti horrivelmente. Parece arrependimento por ter mentido. Mas tanto pode ser isso como arrependimento por ter sido apanhado.

O self-pity, a compaixão que nos desperta a nossa própria desgraçada sorte, faz saltar as mais convincentes lágrimas. Parecem de vergonha (“ como pude ser tão velhaco?”) mas é mais provável que corram por sentido de injustiça: “ Mas como é que eu pude ter tanto azar? E logo nesta altura! É que eu não mereço isto – ainda por cima já foi há tanto tempo… estou tão tramado… ela nunca mais me vai perdoar… ó pobre de mim…”

Atenção apanhadores  e apanhadoras de mentiras: não se deixem impressionar pelas primeiras, capitosas expressões de mágoa e de sensibilidade. Não perguntes por quem chora o mentiroso. Não é preciso: ele chora por ele. Continua a mentir, querendo convencer-te de que chora por ti.

Jornal Público – Miguel Esteves Cardoso

 

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24 11 2015

Quinta feira, 24 de Novembro de 2015

sem nome 

Caro amigo, a ciência é para si!

 

“Este livro é para si. Foi escrito a pensar em todas as pessoas que gostariam de estudar e de aprender mas não tiveram ocasião para isso. O amigo é um deles. Suponho que é camponês ou operário, rapaz novo ou homem feito, e que já lhe sucedeu ficar a meditar sobre as razões por que aconteceram certas coisas que observa”. É assim que começa o livro Física para o povo, tal como se pode ler no prefácio da primeira edição de 1968, escrito por Rómulo de Carvalho (1906-1997), professor de Física e Química, grande divulgador e historiador de ciência. Em 1968 os tempos não eram muito favoráveis nem à ciência nem à sua divulgação. A ciência exige liberdade de pensamento e, pelo seu caráter inovador, representa um desafio à autoridade. Durante o Estado Novo vários intelectuais e académicos foram proscritos e, nalguns casos, forçados ao exílio. Nessas circunstâncias Rómulo de Carvalho soube escrever de forma acessível para uma população com um grau de escolaridade que, na grande maioria dos casos, não passava da quarta classe. Conseguiu ainda criar encontros únicos entre ciência e poesia, sob o pseudónimo de António Gedeão, de que o poema Lágrima de preta é um exemplo. Nele relata o encontro com uma preta que estava a chorar, tendo-lhe pedido uma lágrima para analisar. Conclui acerca da sua composição:

Nem sinais de negro,

Nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)

E cloreto de sódio.

Rómulo de Carvalho, como todos nós andava a dar voltas ao sol desde que nasceu. E a cada dia 24 de Novembro completava mais uma. A data do seu aniversário é atualmente o Dia Nacional da Cultura Científica, que é “um capital que nos permite não apenas ler mas usufruir do mundo, que nos permite não apenas conhecer mas manipular as ideias produzidas pela ciência, que nos permite perceber as potencialidades e os riscos e as limitações da ciência, que nos permite relacionar e integrar os conhecimentos da ciência com outros saberes e culturas numa visão  coerente e enriquecedora do mundo, que nos permite encarar a ciência  sem a mínima atitude de servidão ou sequer de reverência, mas apenas com curiosidade, emoção e sentido de responsabilidade”. Esta é a definição que consta do livro Cultura Científica em Portugal, da autoria de António Granado e José Vítor Malheiros, que será lançado no próximo dia 23, em Lisboa, no Quadro do Mês da Ciência, uma iniciativa da Fundação Francisco Manuel dos Santos, à volta do dia de aniversário de Rómulo de Carvalho.

Ao contrário de Rómulo de Carvalho, eu não suponho que o leitor seja camponês ou operário. E até apostaria que teve mais oportunidade de estudar e aprender do que Rómulo supunha em 1968 acerca dos seus leitores. Se, em 1970 um em cada quatro portugueses não sabia ler nem escrever, apenas 0,9% da população tinha concluído um curso superior e 60 pessoas terminaram um doutoramento (dados da PORDATA), em 2011 os analfabetos eram menos de 5%, quase 15% da população tinha formação superior, nesse ano, 1845 pessoas terminaram um doutoramento (mais de metade, mulheres). Quase tudo melhorou no pós-25 de Abril, incluindo a educação e a ciência. Foi um percurso sustentado de várias décadas, que deu frutos, por exemplo, no número de publicações. Em 2013, este número já era de 168. (…) E como acreditava o ex-ministro José Mariano Gago (1948/2015), para isso é preciso “ levar a ciência para a rua, levar a experimentação para a escola, trazer a argumentação científica para dentro dos debates da sociedade e para a decisão política democrática”.

David Marçal – Revista Visão

 

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23 11 2015

5 Minutos de Leitura

Segunda feira,  23 de novembro de 2015

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Mel: uma doce alternativa para o tratamento da tosse na criança

 

As causas da tosse podem ser variadas, desde infeção em qualquer ponto das vias respiratórias, alergias, asma, presença de corpos estranhos, irritação das vias aéreas por substâncias como o fumo do tabaco, entre outras.

A tosse é uma resposta fisiológica à irritação das vias aéreas, que funciona como um importante mecanismo de defesa do sistema respiratório, permitindo a expulsão de secreções e/ou material estranho. É um sintoma muito frequente na idade pediátrica, mas necessário, que incomoda a criança e preocupa os pais, sendo responsável por muitas noites mal dormidas e tendo, consequentemente, implicações na escola e no trabalho , nomeadamente ao nível do absentismo.

Apesar de originar grande preocupação nos pais, a tosse na criança é, na maioria das vezes, condicionada por situações benignas e autolimitadas. As causas da tosse podem ser variadas, desde infeção em qualquer ponto das vias respiratórias, alergias, asma, presença de corpos estranhos, irritação das vias aéreas por substâncias como o fumo do tabaco, entre outras. Na maioria das vezes, a tosse passa em alguns dias ou semanas e o organismo da criança reestabelece-se naturalmente.

A oferta de medicação de venda livre nas farmácias, nomeadamente xaropes para a tosse, é numerosa, dispendiosa e variada, mas poucos são os pais que sabem que a eficácia desses medicamentos não é comprovada e, por vezes, são até mesmo desaconselhados. (…)

Se a tosse não é atribuída a nenhuma doença específica como asma, pneumonia, sinusite, rinite alérgica, entre outras, mas é devida a uma infeção das vias aéreas superiores sem tratamento curativo específico, como por exemplo as constipações, existem algumas medidas que os pais podem adoptar para minimizar o desconforto. Aquela dica antiga de hidratar a criança continua imbatível: incentive o seu filho a beber água. Não se esqueça que o fumo passivo é uma causa comum de tosse, por isso mantenha o seu filhote em locais livres de fumo de tabaco ou outras substâncias que possam irritar as vias aéreas. Além disso, segundo alguns estudos realizados, há outra medida que os pais podem adoptar nestes casos – dar mel aos seus filhos. É uma daquelas coisas que a sua avó já dizia: o mel é bom para a tosse.

Publicado, recentemente, na revista científica Pediatrics, um estudo veio reforçar o efeito positivo do mel na tosse da criança. O estudo analisou 300 crianças, entre 1 e 5 anos, para identificar se o mel aliviava a tosse noturna. A conclusão foi que as crianças que ingeriram mel apresentaram melhoria significativa da tosse noturna e menor dificuldade para dormir comparativamente às que receberam um xarope sem mel.(…)

O mel deve ser administrado durante um curto período de tempo, e ter em consideração o risco de cáries dentárias e obesidade. Além disso, não se esqueça que a ideia generalizada de o mel ser uma substância natural que não faz mal a ninguém, não é bem assim. Crianças com menos de 1 ano não podem consumir mel porque o seu organismo ainda não tem proteção contra a bactéria Clostridium botulinum, que pode estar presente no mel e é responsável pela transmissão do botulismo.

É importante perceber que o mel vai atuar, essencialmente, como mecanismo de alívio do desconforto, proporcionando menor incómodo e noites mais tranquilas para a criança e para os pais.

 

Marlene Rodrigues, com a colaboração de Sofia Martins, Pediatra.

 

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20 11 2015

Sexta feira, 20 de novembro de 2015

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Maria Moisés

O  pequeno  pegureiro contou as cabras à porta do curral; e, dando pela falta de uma, desatou a chorar com a maior boca e bulha que podia fazer. Era noite fechada. Tinha medo de voltar ao monte, porque se afirmava que a alma do defunto capitão – mor andava penando na Agra da Cruz, onde aparecera o cadáver de um estudante de Coimbra, muitos anos antes. O povo atribuíra aquela morte ao capitão – mor de Santo Aleixo de além – Tâmega, por vingança de ciúmes, e propalava que a alma do homicida, de fraldas brancas e roçagantes,  infestava  aquelas  serras. O moleiro das Poldras contrariava a opinião pública, asseverando que a aventesma não era alma, nem a tinha, porque era a égua branca do vigário. A maioria, porém, pôs em evidência o facto psicológico, divulgando que o moleiro era homem de maus costumes,  tinha sido soldado na guerra do Rossilhão, não se desobrigava anualmente no rol da igreja, nem constava que tivesse matado algum francês.

Era por 1813, meado de agosto, quando o pastor chorava encolhido, a um canto do curral, e pedia ao padre Santo António com muitas lágrimas que lhe deparasse a cabra perdida. (…)

Leitura recomendada – Camilo Castelo Branco

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