5 Minutos de Leitura

30 11 2012

Segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Fado otimista no primeiro aniversário da classificação como património da humanidade

Foi há um ano. A sessão do comité do património mundial ia longa e já poucos acreditavam que a candidatura do fado fosse a votação naquele dia. O debate à volta dos dossiês de outros países tinha-se complicado em questões de fundo e pormenores burocráticos. Mas, quando finalmente chegou o momento de analisar a proposta portuguesa, bastaram cinco minutos para que se chegasse a uma decisão – os 23 delegados presentes naquela reunião da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em Bali, na Indonésia, votaram a favor da inclusão do fado na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade. Às 20h30 (12h30 em Lisboa), a canção de Lisboa passou a ser (ainda mais) do mundo. Sara Pereira, diretora do museu do fado estava em Bali nesse dia e lembra-se bem da ansiedade que antecedeu a votação. Para a diretora do Museu do Fado e membro da comissão científica que em 2005 começou a trabalhar na candidatura, este primeiro aniversário do fado património mundial é feito num clima de grande otimismo em relação ao cumprimento dos objetivos do plano de salvaguarda previsto, um dos pontos fortes da proposta portuguesa. Hoje, dia 27 de novembro, às 20h30 há festa com um pequeno concerto de Camané e Ana Moura. É visto pela Unesco como condição essencial para a preservação e divulgação do bem classificado. “Progredimos muitíssimo neste último ano”. diz Sara Pereira. “. Dar formação aos professores do ensino regular para que aprendam a introduzir o fado nas disciplinas que o currículo inclui é outras das prioridades. E chamar a atenção dos alunos pode passar por pôr fadistas a aparecer nas escolas, como aconteceu já com Mariza, que foi dar uma aula na secundária Dona Luísa de Gusmão. “O importante é que alunos e professores percebam que o fado é um tema transversal. Não tem de ficar fechado nas aulas de música – também é história, língua portuguesa, desenho…”(…).

Artigo de Lucinda Canelas

Texto selecionado e adaptado pela BE





Fado,Historia de uma Cantadeira [1947]

30 11 2012




5 Minutos de Leitura

29 11 2012

Sexta, 30 de novembro de 2012

Prémio Portugal Telecom atribuído a um português

Valter Hugo Mãe é o grande vencedor da 10ª edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa. O escritor português recebeu o prémio numa cerimónia que decorreu no Auditório Ibirapuera, em S. Paulo, no Brasil, o prémio na categoria de melhor romance com a A Máquina de Fazer Espanhóis e também foi o vencedor do Grande Prémio Portugal Telecom 2012.

“Muito obrigado. É uma honra ser finalista com todos esses escritores com quem fui finalista, estava convencido que Bernardo Kucinski [académico brasileiro que escreveu K., um primeiro romance que se passa na época da ditadura e que recebeu uma menção honrosa] ia ganhar”, disse o escritor português, emocionado quando recebeu o prémio de melhor romance das mãos do vice-presidente da PT Brasil, Abílio Martins.
Mais tarde, quando voltou ao palco para receber o grande prémio da noite, explicou que tinha de falar devagar para não se comover. “Cresci a escrever muito, mas não achava que ser escritor era algo que eu pudesse ser. Eu escrevia para mim, para fazer a manutenção dos meus dias, para suportar os meus dias. É incrível estar aqui hoje. Agradeço que subitamente eu possa estar mais perto de vocês, mas se calhar mais perto de mim”, disse Valter Hugo Mãe ao agradecer o Grande Prémio Portugal Telecom 2012, para o qual estavam nomeados também os vencedores da noite nas outras categorias.
A cerimónia, que decorreu no auditório no edifício projectado pelo arquitecto Oscar Niemeyer, teve apresentação do cantor e músico Arnaldo Antunes (ex-Titãs) e da actriz brasileira Maria Fernanda Cândido e foram recordadas as várias obras premiadas ao longo dos dez anos do galardão.

O valor atribuído aos vencedores de cada categoria é de 50 mil reais (18.500 euros), o mesmo valor do Grande Prémio Portugal Telecom 2012(…).

Artigo adaptado e retirado do Jornal O PÚBLICO

Texto selecionado pela BE





5 Minutos de Leitura

28 11 2012

Quinta-Feira, 29 de novembro de 2012

ANSELMO BORGES por ANSELMO BORGES

 A descoberta do bosão de Higgs (ainda não há provas totalmente definitivas) aproximou-nos um pouco mais dos instantes que se seguiram ao Big Bang. É fabuloso aonde a ciência está a chegar. Mas é claro que ela não poderá alcançar o Big Bang enquanto tal, pois trata-se de uma singularidade. Como é ainda mais claro que para a ciência não tem sentido perguntar: “e antes do Big Bang?”, já que o tempo apareceu com o Big Bang. O “antes” tem já a ver com questões filosóficas e religiosas.

Começa, pois, a ser tempo de cientistas, filósofos e teólogos se juntarem para refletir sobre a criação do Universo. E foi isso precisamente que aconteceu no passado mês de Outubro em Genebra. “Dei-me conta de que é necessário discutir isso”, disse Rolf Heuer, diretor-geral do CERN. Como cientistas precisamos de “discutir com filósofos e teólogos o antes do Big Bang”.

Para alguns, trata-se de uma questão sem interesse. Assim, para Lawrence Krauss, um físico teórico da Universidade Estatal do Arizona, aquela reunião não significava que os cientistas estejam interessados em Deus. “Não se pode refutar a teoria de Deus. O poder da ciência é incerto. Tudo é incerto, mas a ciência pode definir essa incerteza. Por isso, a ciência progride e a religião não.”

Há, porém, quem lembre que foi um padre católico, professor de Física na Universidade Católica de Lovaina, a primeira pessoa a propor, em 1931, a teoria do Big Bang. E manteve a fé religiosa como sendo tão importante como a ciência, tornando-se inclusivamente presidente da Academia Pontifícia das Ciências até à sua morte, em 1966. E, ao contrário do que frequentemente se diz, Darwin também deixou escrito na sua autobiografia: “O mistério do princípio de todas as coisas é insolúvel para nós, e, pelo meu lado, devo conformar-me com permanecer agnóstico.”

John Lennox, professor de Matemáticas na Universidade de Oxford, presente no encontro, declara-se cristão. Para ele, o facto de os seres humanos poderem fazer ciência pressupõe um mundo racional e, assim, a ciência abre para Deus: “Se soubesses que o teu computador é produto de um processo não guiado, sem sentido, não confiarias nele. Por isso, para mim, o ateísmo mina a racionalidade de que necessito para fazer ciência.”

Andrew Pinsent, também da Universidade de Oxford, pensa que colaborar com a filosofia poderia ajudar a enfrentar as grandes perguntas. Por isso, Heuer sublinhou que é necessário continuar a dialogar, pois deparamos na nossa cultura com o problema da hiper-especialização, de tal modo que “a ignorância de outros campos pode causar problemas, como uma carência de coesão social”.

Platão advertiu que é à volta de ser e do ser que os homens travam uma luta de gigantes (gigantomaquia). O que os une – religiosos, filósofos, cientistas – é precisamente esse combate. Somos todos convocados pelo mistério do ser, do existir algo: “Porque existe algo e não nada?”

Fernando Pessoa disse-o de modo inexcedível – fica aí o poema, lembrando o passado dia 15, Dia Mundial da Filosofia: “Ah, perante esta única realidade, que é o mistério,/Perante esta única realidade terrível – a de haver uma realidade,/Perante este horrível ser que é haver ser,/Perante este abismo de existir um abismo,/Ser um abismo por simplesmente ser,/Por poder ser,/Por haver ser!/- Perante isto tudo como tudo o que os homens fazem,/Tudo o que os homens dizem,/Tudo quanto constroem, desfazem ou se constrói ou desfaz através deles,/Se empequena!/Não, não se empequena… se transforma em outra coisa -/Numa só coisa tremenda e negra e impossível,/Uma coisa que está para além dos deuses, de Deus, do Destino -/Aquilo que faz que haja deuses e Deus e Destino,/Aquilo que faz que haja ser para que possa haver seres,/Aquilo que subsiste através de todas as formas/De todas as vidas, abstractas ou concretas,/Eternas ou contingentes,/Verdadeiras ou falsas!/Aquilo que, quando se abrangeu tudo, não se abrangeu explicar porque é um tudo,/Porque há qualquer coisa, porque há qualquer coisa, porque há qualquer coisa!”

 http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2906603&seccao=Anselmo Borges&tag=Opini%E3o – Em Foco&page=-1

 

Texto selecionado pela professora Teresa Carvalho

 





Maria Bethânia e o doce mistério da vida

28 11 2012




5 Minutos de Leitura

27 11 2012

Terça-Feira, 28 de novembro de 2012

 

Macacos dactilógrafos

Imagina o leitor o que fará um macaco sentado ao teclado de um computador? Parece uma ideia ociosa, mas em 1909 um dos grandes matemáticos de sempre, o francês Émile Borel (1871-1956), imaginou um macaco escrevendo letras ao acaso. Mostrou que, dando-lhe tempo ilimitado, o macaco acabaria por escrever uma das peças de Shakespeare. Borel não falou de um computador, é claro, mas de uma máquina de escrever. E o seu argumento ficou conhecido como a parábola dos macacos dactilógrafos. Carregando teclas de forma puramente aleatória, não só é possível aparecer qualquer sequência de letras como ainda, se o tempo for infinito, qualquer sequência de letras irá necessariamente aparecer. Matematicamente, este resultado é uma ilustração do chamado Lema de Borel-Cantelli. Mas o assunto tinha começado a ser discutido muito antes. Nos tempos de César, Cícero (106-43 a.C.) dissera que uma obra de literatura não pode ser criada atirando letras para o chão. Matematicamente, estava errado, como se vê. Mas em termos práticos não disse nenhum disparate. A probabilidade de um macaco que escreve letras ao acaso, independentemente umas das outras, escrever de seguida um simples verso d’Os Lusíadas é inferior à de sair cinco vezes seguidas o jackpot a um apostador no Euromilhões. O mais divertido é que na Universidade de Plymouth, em Inglaterra, houve quem fizesse a experiência e desse um computador a um grupo de símios. Sabe o que fizeram os macacos no teclado do computador? Defecaram e urinaram. Conseguiram destruir a máquina antes de formarem uma única palavra.

Retirado de: (Expresso: 16-06-2007 autor Nuno Crato)

Selecionado pelo Grupo de Matemática

 





Isaac Newton e a Gravidade

26 11 2012