5 Minutos de Leitura:Sábios como Camelos

29 10 2010

5 Minutos de leitura

Terça-feira, 2 de Novembro

 

Sábios como Camelos

 

 Há muitos anos viveu na Pérsia um grão-vizir – nome dado naquela época aos chefes dos governos – que gostava imenso de ler. Sempre que tinha de viajar ele levava consigo quatrocentos camelos, carregados de livros, e treinados para caminhar em ordem alfabética.

O primeiro camelo chamava- se Aba, o segundo Baal, e assim por diante, até ao último, que atendia pelo nome de Zuzá. Era uma verdadeira biblioteca sobre patas. Quando lhe apetecia ler um livro o grão-vizir mandava parar a caravana e ia de camelo em camelo, não descansando antes de encontrar o título certo. Um dia a caravana perdeu-se no deserto. Os quatrocentos camelos caminhavam em fila, uns atrás dos outros, como um carreirinho de formigas. À frente da cáfila, que é como se chama uma fila de camelos, seguiam o grão-vizir e os seus ministros. Subitamente o céu escureceu, e um vento áspero começou a soprar de leste, cada vez mais forte. As dunas moviam-se como se estivessem vivas. O vento, carregado de areia, magoava a pele. O grão-vizir mandou que os camelos se juntassem todos, formando um círculo. Mas era demasiado tarde. O uivo do vento abafava as ordens. A areia entrava pela roupa, enfiava-se pelos cabelos, e as pessoas tinham de tapar os olhos para não ficarem cegas. Aquilo durou a tarde inteira. Veio a noite e quando o Sol nasceu o grão-vizir olhou em redor e não foi capaz de descobrir um único dos quatrocentos camelos. Pensou, com horror, que talvez eles tivessem ficado enterrados na areia. Não conseguiu imaginar como seria a vida, dali para a frente, sem um só livro para ler. Regressou muito triste ao seu palácio. Quem lhe contaria histórias? Os camelos, porém, não tinham morrido. Presos uns aos outros por cordas, e conduzidos por um jovem pastor, haviam sido arrastados pela tempestade de areia até uma região remota do deserto. Durante muito tempo caminharam sem rumo, aos círculos, tentando encontrar uma referência qualquer, um sinal, que os voltasse a colocar no caminho certo. Por toda a parte era só areia, areia, e o ar seco e quente. À noite as estrelas quase se podiam tocar com os dedos. Ao fim de quinze dias, vendo que os camelos iam morrer de fome, o jovem pastor deu-lhes alguns livros a comer. Comeram primeiro os livros transportados por Aba, ou seja, todos os títulos começados pela letra A. No dia seguinte comeram os livros de Baal. Trezentos e noventa e oito dias depois, quando tinham terminado de comer os livros de Zuzá, viram avançar ao seu encontro um grupo de homens. Eram as tropas do grão-vizir. Conduzido à presença do grão-vizir o jovem guardador de camelos, explicou-lhe, chorando, o que tinha acontecido. Mas este não se comoveu:

– Eras tu o responsável pelos livros – disse -, assim por cada livro destruído passarás um dia na prisão. O guardador de camelos fez contas de cabeça, rapidamente, e percebeu que seriam muitos dias. Cada camelo carregava quatrocentos livros, então quatrocentos camelos transportavam cento e sessenta mil! Cento e sessenta mil dias são quatrocentos e quarenta e quatro anos. Muito antes disso morreria de velhice na cadeia. Dois soldados amarraram-lhe os braços atrás das costas. Já se preparavam para o levar preso,

quando Aba, o camelo, se adiantou uns passos e pediu licença para falar:

– Não faças isso, meu senhor – disse Aba dirigindo-se ao grão-vizir – esse homem salvou-nos a vida.

O grão-vizir olhou para ele espantado:

– Meu Deus! O camelo fala!?

– Falo sim, meu senhor – Confirmou Aba, divertido, com o incrédulo silêncio dos homens.

– Os livros deram-nos a nós, camelos, a ciência da fala.

Explicou que, tendo comido os livros, os camelos haviam adquirido não apenas a capacidade de falar, mas também o conhecimento que estava em cada livro. Lentamente enumerou de A a Z os títulos que ele, Aba, sabia de cor. Cada camelo conhecia de memória quatrocentos títulos.

– Liberta esse homem – disse Aba -, e sempre que assim o desejares nós viremos até ao vosso palácio para contar histórias. O grão-vizir concordou. Assim, a partir daquele dia, todas as tardes, um camelo subia até ao seu quarto para lhe contar uma história. Na Pérsia, naquela época, era habitual dizer-se de alguém que mostrasse grande inteligência:

 – Aquele homem é sábio como um camelo.

Isto foi há muito tempo. Mas há quem diga que, quando estão sozinhos, os camelos ainda conversam entre si. Pode ser!

 

José Eduardo Agualusa

 Texto seleccionado pela BE





Mr Bean na Biblioteca

29 10 2010




Encontro com o escritor Pedro Seromenho

28 10 2010

 





O Mundo de Sofia

28 10 2010

O Mundo de Sofia – Parte 14





5 Minutos de Leitura:“As Roupas do Branco Morto”

28 10 2010

5 Minutos de Leitura
Sexta-Feira, 29 de Outubro de 2010

 

“As Roupas do Branco Morto”

Atirado de uma carrinha de caixa aberta, um fardo com 50 quilos de roupas usadas – cuecas e “soutiens”, peúgas, fatos Donna Karan e camisolas de ‘basqueteball’ de Michael Jordan – aterra com um barulho abafado entre uma multidão agitada de potenciais compradores. Anorue corta o invólucro de plástico que protege o fardo do tamanho de um frigorífico, que ele comprou por 80 euros, e mergulha dentro dele. Tem de haver lá dentro uma preciosidade qualquer – como o blusão de cabedal gasto, que já foi usado por uma liceal americanaTiffany. A peça está agora pendurada em lugar de destaque na loja – barraca de metro e meio por metro e meio. A etiqueta do preço pede 20 euros.
“Estas roupas fazem com que os sonhos das pessoas se concretizem” – afirma Anorue, presidente da associação de vendedores no mercado de Yaba [Lagos, maior cidade da Nigéria, ex-capital]. “Todos as querem, de mulheres que trabalham nos seguros a vendedores, de pobres a deputados. Quando as vestem, não se conseguem distinguir os ricos dos pobres.”
Em tempos, a maior parte de África andou embrulhada em tecidos de cores e padrões espampanantes, produtos da indústria local que reflectiam o orgulho cultural. Mas com metade dos seus habitantes a sobreviver com menos de um dólar por dia, o continente tornou-se o caixote de reciclagem de todo o mundo. As pessoas lutam por cuecas a dez cêntimos, T-shirts a 20 e ‘jeans’ a menos de um euro, que os ocidentais deitam fora.
Num “nightclub” de Lagos, uma jovem nigeriana apresenta-se com um “negligée” vermelho em segunda mão, por cima de um top cor-de-rosa berrante. Um jovem combatente liberiano, de AK-47 em punho, anda com um roupão de banho como se fosse um blusão comprido.
No Togo, chamam às peças usadas “as roupas do branco morto”. Poucas pessoas neste país da África Central acreditam que alguém vivo deitasse fora coisas tão boas como estas. Uma procura insaciável por parte de lojas em aldeias e de mercados urbanos transformou os desperdícios do Ocidente numa indústria que gera anualmente centenas de milhões de dólares: roupa, o produto mais visível; velhos frigoríficos, medicamentos fora do prazo, colchões mais do que gastos; veículos usados, importados do Japão. Computadores antiquados equipam muitas repartições governamentais.
O comércio de desperdícios proporciona a milhões de africanos um meio para travar a luta diária com a pobreza. Os que compram conseguem roupas baratas; e é com elas que legiões de vendedores ganham a vida. Mas a mera sobrevivência tem, a longo prazo, um custo. África está a perder a capacidade para produzir as suas próprias roupas. Embora a mão-de-obra seja barata, os africanos não são capazes de produzir uma camisa que custe o mesmo que uma usada. Na Zâmbia, quase todas as fábricas de têxteis fecharam. Na Nigéria, estão em actividade menos de 40 das 200 que existiam. Milhares de operários perderam os empregos no Quénia, Tanzânia e outros países.

Davan MAHARAJ: “Los Angeles Times”, 4-08-2004 (Exclusivo “Público”)

Texto seleccionado e adaptado pelo Prof. Francisco Carneiro





Outubro – Mês Internacional da Biblioteca Escolar

28 10 2010

Ao longo do mês de Outubro as escolas desenvolveram actividades de promoção da BE.
A nossa escola vai dedicar o mês de Novembro à Be. Feira do Livro, encontro com escritores, “Prazer de Pensar”, concursos, jogos, exposições e ….,estarão à vossa espera.
Vem à tua biblioteca!





O Mundo de Sofia

27 10 2010

O Mundo de Sofia – Parte 13