27 02 2014

carnaval





5 Minutos de Leitura

26 02 2014

Quinta-Feira, 27 de Fevereiro de 2014

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O Carnaval de 1855

Era uma das últimas noites do Carnaval de 1855.

Havia menos estrelas no céu do que máscaras nas ruas. Fevereiro, esse mês inconstante como uma mulher nervosa, estava nos seus momentos de mau humor, o folgazão Entrudo ria-se de tais severidades e dançava ao som do vento e da chuva, e sob o dossel de nuvens negras que se levantavam do Sul. Graças à cheia do Douro, a cidade baixa podia bem prestar-se naquela época a uma paródia do Carnaval veneziano. À porta dos teatros apinhava-se a multidão. Numerosos grupos de espectadores paravam diante das exposições de máscaras à venda e tornavam o trânsito naquelas ruas quase impraticável. A animação era geral na cidade. Todos corriam com ânsia… a enfastiarem-se, fingindo que se divertiam.
Alguma coisa também na Águia de Ouro, a anciã das nossas casas de pasto, a velha confidente de quase todos os segredos políticos, particulares e artísticos desta terra; alguma coisa havia nesta modesta casa amarela do Largo da Batalha, que desviava para lá os olhares de quem passava. Desde as três horas da tarde que o tinir dos cristais e das porcelanas, o estalar das garrafas desarrolhadas, o estrépito das gargalhadas, das vozearias tumultuosas e dos hurras ensurdecedores rompiam, como uma torrente, do acanhado portal daquele bem conhecido edifício; e por muito tempo essa torrente, à maneira do que sucede com a das águas dos rios caudalosos ao desembocarem no mar, conservava-se distinta ainda, através do grande rumor que enchia as ruas. Os criados subiam e desciam azafamados as escadas, cruzavam-se ou abalroavam-se nos corredores, hesitavam perplexos entre ordens contraditórias, vinham apressar os colegas na cozinha ou entretinham com promessas os impacientes convivas da sala. Sob aparências de modéstia, a Águia de Ouro parecia desta vez aureolada de não sei que majestade, condigna do seu emblema.

JÚLIO DINIS, Uma Família Inglesa

 

Texto seleccionado pela BE





5 Minutos de Leitura

25 02 2014

Quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

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À Chuva

Este mundo é um paraíso! Milhões de crianças passam fome!”

Cinco horas da tarde. Saio para a rua. O vento revolve o ar de alto a baixo. Urnas gotas frias chicoteiam-me o rosto. Não ligo. Ás vezes sabe bem sentir a chuva a bater na cara. Caminho devagar… Rostos apressadamente molhados cruzam-se, frenéticos, empunhando guarda-chuvas ao som de movimentos heterogéneos e periclitantes.

Duas mulheres desgrenhadas e uma criança descalça surgem sem pressas, com os cabelos molhados. A roupa encharcada. Os olhos tristes. Paro. Falo-lhes: – “Olá!”. A criança fita-me surpreendida. Volto à carga: – “Que andas a fazer à chuva?”. Os seus olhos abriram-se um pouco e sorriram. Li neles um mundo de desejos impossíveis, de sonhos maravilhosos e de aventuras mirabolantes. Por fim, respondeu com voz de violoncelo angustiado: – “Nada!”. Pausa… Atiro-lhe um “Já lanchaste?”. De novo a surpresa no seu rosto claramente infantil. Repito a pergunta… E, vem então a resposta: -“Mas eu ainda não almocei!”. Dupla pausa…

Este Mundo é um paraíso! Milhões de crianças passam fome!

Retomo a conversa: – “Queres um bolo?” Nova pausa… – “Quero! Mas também queria uma bola nova!”. Silêncio… Reparo que segura, nas mãos meio escuras e meio gretadas, uma bola furada…

Dou-lhe algum dinheiro para o bolo e para uma bola nova, e ele já desapareceu a correr atrás das duas mulheres, com certeza avó e mãe, que já viravam numa curva da rua.

Ainda ontem ouvi uma pessoa dizer que comprara uma casota nova para o seu animal de estimação e a outra que iria comprar um brinquedo que custava mais do que uma pensão de reforma de sobrevivência, e ainda a outra que…

Dou por mim a comparar uma criança com um animal de estimação e com outra criança privilegiada e fiquei a sentir que há mais um ser humano a pesar, com a sua fome de tudo, na minha consciência…

Manuel Pinto Neves

vale mais, o jornal do Vale do Minho

Texto selecionado pela Prof. Alcinda





5 Minutos de Leitura

24 02 2014

Terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

sem nome 

Tudo o que dizemos de boca fechada: mundo da expressão corporal e facial

Por cada 10 minutos de conversa uma pessoa comum diz cerca de três mentiras. Uma parte significativa das vezes que alguém nos sorri não está a fazer um sorriso genuíno, mas antes a esboçar o famoso sorriso amarelo. E muitas vezes, apesar de verbalmente nos responderem “sim”, interiormente estão replicar: “nem penses nisso!” (…)

A maior parte das vezes que alguém está zangado connosco não precisamos que a pessoa abra a boca para o entendermos, da mesma forma que, por norma, não temos de esperar que uma pessoa nos diga que gosta de nós para percebermos que é isso que sente.

Mais de 60% do processo de comunicação é não verbal e até existem estudos que defendem que essa percentagem se situa nos 93%. Uma parte gigante da nossa comunicação não é feita por palavras, mas sim por entoações, gestos, expressões e movimentos, entre outros. E todos nós sabemos isso muito intuitivamente, mas que parte de toda essa comunicação não verbal é que captamos realmente?

O que sentimos é tantas vezes diferente do que dizemos ou mesmo do que, não dizendo, queremos fazer passar. Mas a verdade sobre as nossas emoções está quase sempre escrita nos nossos rostos e nos nossos corpos a cada segundo. Só que nem todos a sabemos ler.

Lie to me

Mentimos. E muito. Por cordialidade, por piedade, por omissão, porque nos convém, ou porque temos – todos – um enorme filtro social. E desde há muito que o homem se tem esforçado por inventar formas de detetar a mentira.

É possível fazê-lo através do polígrafo ou de aparelhos como a termografia que examinam parâmetros fisiológicos que se alteram na maior parte de nós quando não estamos a ser honestos como o ritmo respiratório, o ritmo cardíaco, a pressão arterial, contracções musculares involuntárias e, no caso da termografia, a temperatura corporal. Mas também há os chamados detectores de mentiras humanos, dos quais Paul Ekman é o pioneiro.

Este especialista em linguagem corporal e expressão facial – no qual foi inspirada a personagem principal da série Lie To Me – é formador assíduo na CIA e no Departamento de Defesa norte-americano, ajudando os agentes a desenvolverem capacidades de leitura de expressões faciais, bem como consultor na criação de máquinas que fazem essa leitura.

Mas esta leitura das emoções está longe de ser útil apenas em casos de polícia… As empresas de recursos humanos cada vez mais contratam pessoas com formação nesta área para seleccionar candidatos, há aplicações que fazem esta leitura que estão a ser desenvolvidas para ajudar pessoas com deficiência a serem mais facilmente compreendidas, e algumas empresas de entretenimento estado a desenvolver jogos capazes de ler o rosto dos jogadores e interagir mediante eles. Além de que, todos nós, no nosso dia-a-dia, temos muito a ganhar tendo noções da fisionomia das emoções.

Quanto à mentira, como nos explica António Sacavém, não existe um comportamento específico que ocorra apenas quando é dita uma mentira: o “efeito Pinóquio” não existe. De acordo com o especialista e formador, a comunicação não verbal não é uma ciência exata como a matemática e, por isso, é necessário contextualizarmos sempre os comportamentos que estamos a observar.

 Sofia Teixeira em  entrevista a António Sacavém, especialista em micro-expressões e linguagem corporal

28 janeiro 2014

Texto selecionado pela BE





5 Minutos de Leitura

21 02 2014

Segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

 Sem Título

Exercícios de humildade


           A amizade é o amor sem preço nem prazo de validade. Amamos os nossos amigos sem que os seus defeitos nos afectem. Perdoamos fraquezas, ausências e silêncios, relevamos deslizes e esquecimentos, não exigimos deles mais do que o que já sabemos que nos podem dar. A minha melhor amiga quase nunca atende o telefone, sei que é assim, conto com isso quando preciso de falar com ela. Se for mesmo importante, mando-lhe um sms e ela liga-me logo a seguir. Os amigos são isto: deles aceitamos quase tudo, estamos sempre prontos para os ajudar e damos-lhe quase sempre razão. Sabemos ouvi-los, intuímos quando estão mal, gastamos o nosso tempo a encontrar soluções que os ajudem. Os problemas dos nossos amigos ganham por vezes proporções tão grandes para eles como para nós, que não descansamos enquanto eles não ultrapassarem as suas crises.

Se sabemos ser tão bons amigos, porque é que tantas vezes não conseguimos fazer o mesmo com o outro, com a pessoa que vive connosco ou com quem partilhamos a nossa vida? Por que é que o amor é tão mais exigente, tão mais egoísta, tão mais inflexível, tão menos generoso? Por que é que o amor incondicional que acreditamos sentir pelo outro se vai transformando numa soma de compromissos, e do dar tudo por tudo passamos para dar na medida daquilo que recebemos, ou dar para depois cobrar?(…)

 Margarida Rebelo Pinto

Texto seleccionado pela BE





5 Minutos de Leitura

20 02 2014

Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2014

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O Dia Mundial do Pensamento

 

Todos os anos, no dia 21 de Fevereiro, 10 milhões de guias reúnem-se em todo o mundo, para celebrar o aniversário dos fundadores do guidismo, Robert Baden Powel (1847) e sua mulher, Olave Baden Powel (1889). Este dia é designado como o Dia Mundial do Pensamento.

Fomentado pelo espírito de entreajuda, pelo “servir” quem mais necessita, pela humildade presente no guidismo, todas estas jovens guias demonstram o apreço pela amizade internacional ao pensar nos outros o no mundo em que vivem.

Na união desses pensamentos, desenvolvemos medidas de acção para podermos ajudar os países que mais necessitam. São desafios que vivemos, não só para tentar mudar as condições de vida dos mais pobres, mas para percebermos e nos envolvermos em situações, que muitas vezes desconhecemos.

“Atingir a escolaridade primária universal”

Um objetivo comum lançado… Uma realidade que poucos de nós (estudantes) se apercebem que existe. Por vezes nem valorizamos aquilo que possuímos, mas existem jovens como nós que gostariam de estar no nosso lugar, acordar todos os dias de manhã para frequentar a escola.

Durante uma semana, cada uma destas jovens angaria fundos que contribuirão para o Tostão Mundial, destinado a atingir um objetivo comum: ajudar quem mais necessita.

Assim, cada guia põe de parte algo que gosta de fazer (comer um bolo, por exemplo), ou angaria fundos, realizando atividades domésticas (limpar a casa em troca de dinheiro), em prol dos mais necessitados. Cada um destes esforços tem tornado possível, não só a expansão do Movimento, mas também a ajuda em países como os que iremos auxiliar este ano: Egipto, Bangladesh, Arménia, São Vicente e Granadinas e Benin.

Deixe o mundo um pouco melhor do que encontrou.” ―Robert Baden-Powell

Por fim, deixamos um apelo: neste dia tenta realizar uma boa acção. Ao dares um pouco de ti a alguém, receberás sempre algo em troca, quanto mais não seja um sorriso ou um «obrigado». Vais ver que valerá a pena…

Andreia Brito – Chefe do Ramo Aventura 12.º D

 

Texto selecionado pela Prof. Elisabete Pires





5 Minutos de Leitura

19 02 2014

Quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

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O medo do ridículo

O medo do ridículo é um forte limitador das nossas vidas e quase diariamente ele decide fazer-nos companhia.

Mas que medo é este que tanto nos limita? O medo do ridículo é um dos maiores bloqueadores da nossa ação e da nossa capacidade de inovação. Este medo, quando sentido de forma exacerbada, chega mesmo a deixar quem o sente sem capacidade de interagir com os outros. Não estamos a falar desses extremos, contudo, todos nós, com maior ou menor intensidade, já passámos por situações em que o medo do ridículo, o medo que se riam de nós, nos bloqueou. Lembre-se de quando andava na escola, quantas vezes um professor colocou uma questão à qual pensava saber responder, mas não o fez, acabando por ouvir outro colega dar a sua resposta e receber os elogios do professor? Por que motivo não respondeu? O que tinha a perder se a resposta estivesse errada? Mais crescido, quantas vezes, num dia quente de verão, lhe apeteceu correr descalço na relva e refrescar-se debaixo do aspersor de água enquanto a relva era regada, e não o fez? Quantas oportunidades perdemos na vida por termos medo de nos expormos, pelo medo do ridículo?!

Na realidade, o mundo avançou devido a pessoas que não tiveram receio de enfrentar o ridículo, basta lembrarmo-nos de alguns dos bens aos quais nos habituámos no nosso dia a dia, que, antes de existirem, pareceriam inimagináveis. Por que motivo quem os criou foi bem sucedido? Porque, apesar do medo que também poderia sentir, ousou enfrentá-lo e fazer a diferença. O seu invento poderia não resultar, mas se não tivesse tentado, ele nunca existiria, e hoje não teríamos aviões, telemóveis, ou o simples cartão multibanco, sem o qual já nem imaginamos passar.

Da próxima vez que sentir que o medo do ridículo o está a inibir de fazer algo, pense que as várias invenções surgiram na sequência de vários erros.

Se errar, analise os seus erros para os poder superar, mas não se foque no erro ou no «ridículo» da situação, sentindo-os como um motivo para se envergonhar. Diga para si mesmo:

«Tudo bem!»

Maria do Carmo Oliveira; Manuel de Oliveira;  “Viver em tempos de mudança”

Texto selecionado pela BE