5 Minutos de Leitura:A Fada das Crianças

28 06 2011

5 Minutos de Leitura

Terça-Feira,  28 de Junho de 2011

A Fada das Crianças

 

Do seu longínquo reino cor-de-rosa,

Voando pela noite silenciosa,

A fada das crianças, vem, luzindo.

Papoulas a coroam, e, cobrindo

Seu corpo todo, a tornam misteriosa.

 

À criança que dorme chega leve,

E, pondo-lhe na fronte a mão de neve,

Os seus cabelos de ouro acaricia —

E sonhos lindos, como ninguém teve,

A sentir a criança principia.

 

E todos os brinquedos se transformam

Em coisas vivas, e um cortejo formam:

Cavalos e soldados e bonecas,

Ursos e pretos, que vêm, vão e tornam,

E palhaços que tocam em rabecas…

 

E há figuras pequenas e engraçadas

Que brincam e dão saltos e passadas…

Mas vem o dia, e, leve e graciosa,

Pé ante pé, volta a melhor das fadas

Ao seu longínquo reino cor-de-rosa.

Fernando Pessoa

 

 

Texto seleccionado pela Professora Cristina Coelho

 

 

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Fernão de Magalhães

26 06 2011

Breve documentário narrando a biografia e importância do navegador português Fernão de Magalhães (1480-1521).

 





Quem foi Clarice Lispector ?

25 06 2011

  

    De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de imigração ao continente americano. Chegou no Brasil quando tinha dois meses de idade.
Sempre quando questionada de sua nacionalidade, Clarice afirmava não ter nenhuma ligação com a Ucrânia, “Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo”, e que a sua verdadeira pátria era o Brasil. A família chegou a Maceió em Março de 1922, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e pelo primo José  Rabin. Por iniciativa de seu pai, à excepção de Tania – irmã, todos  mudaram de nome: o pai passou a chamar-se Pedro; Mania, Marieta; Leia –  irmã, Elisa; e Haia, Clarice. Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um  próspero comerciante. Com dificuldades de relacionamento com Rabin e sua família, Pedro decide tentar a sorte em Recife, então a cidade mais importante do Nordeste.

      Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância no bairro de Boa Vista. Estudou no Ginásio Pernambucano de 1932 a 1934. Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu a ouvir no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche.

     A sua mãe morreu em 21 de setembro de 1930 (Clarice tinha apenas 9 anos) (…). Clarice sofreu com a morte da mãe, e muitos dos seus textos reflectem a  culpa que a autora sentia e figuras de milagres que salvariam sua mãe.

      Quando tinha 15 anos seu pai decidiu-se mudar para o Rio de Janeiro. Sua irmã Elisa conseguiu um emprego no ministério, por intervenção do então ministro Agamemnon Magalhães, enquanto seu pai teve dificuldades em encontrar uma oportunidade na capital. Clarice estudou na escola  primária na Tijuca, até ir para o curso preparatório para a Faculdade de Direito. Foi aceite na Escola de Direito na então Universidade do Brasill em 1939. Sentiu-se frustrada com muitas das teorias ensinadas no curso, e descobriu um escape: a literatura. Em 25 de maio de 1940, com apenas 19 anos, publicou seu primeiro conto “Triunfo” na Revista Pan.

Três depois, após uma cirurgia simples para a retirada de sua vesícula biliar, seu pai Pedro morre de complicações cirúrgicas. As filhas ficam arrasadas com as circunstâncias da morte tão inesperada, e como consequência Clarice afasta-se da religião judaica. No mesmo ano, Clarice chama a atenção (provavelmente com o conto “Eu e Jimmy”) de Lourival Fontes, então chefe do Departamento de Imprensa e Propaganda (órgão responsável pela censura no Estado Novo de Getúlio Vargas), e é alocada para trabalhar na Agência Nacional, responsável por distribuir notícias aos jornais e emissoras de rádio da época. Lá conheceu o escritor Lúcio Cardoso, por quem se apaixonou (não correspondido, já que Lúcio era homossexual) e de quem se tornou amiga íntima .

      Em 1943, no mesmo ano de sua formatura, casou-se com o colega de turma Maury Gurgel Valente, futuro pai de seus dois filhos. Maury foi aprovado no concurso de admissão na carreira diplomática, e passou a fazer parte do  quadro do Ministério das Relações Exteriores. Na  sua primeira viagem como esposa de diplomata, Clarice morou na Itália onde serviu durante a Segunda Guerra Mundial como assistente voluntária junto ao corpo de enfermagem da Força Expedicionária Brasileira. Também morou em países como Inglaterra, Estados Unidos e Suiça, países para onde Maury foi escalado. Apesar disso, sempre falava nas  suas cartas a amigos e irmãs como sentia falta do Brasil.

      Em 10 de agosto de 1948, nasce seu primeiro filho, Pedro, em Berna na Suiça. Quando criança Pedro se destacava por sua facilidade de aprendizagem, porém na adolescência, a sua falta de atenção e agitação foram  diagnosticados como esquizofrenia. Clarice se sentia de certa forma culpada pela doença do filho, e teve dificuldades para lidar com a situação. Em 10 de fevereiro de 1953, nasce Paulo, o segundo filho de Clarice e Maury, em Washington, D.C., nos Estados Unidos.

     Em 1959 separou-se do marido que ficou na Europa e voltou permanentemente ao Rio de Janeiro com seus filhos, morando no Leme. No mesmo ano assina a coluna “Correio feminino – Feira de Utilidades”, no jornal carioca Correio da Manhã, sob pseudónimo de Helen Palmer. No ano seguinte, assume a coluna “Só para mulheres”, do Diário da Noite, como ghost-writer da actriz Ilka Soares.

      Provoca um incêndio ao dormir com um cigarro acesso em 14 de setembro de 1966, em que o seu quarto fica destruído e a escritora hospitalizada entre a vida e a morte por três dias. Sua mão direita é quase amputada devido aos ferimentos, e depois de passado o risco de morte, ainda fica hospitalizada por dois meses.

      Em 1975 foi convidada a participar do Primeiro Congresso Mundial de Bruxaria, em Cali na Colômbia. Fez uma pequena apresentação na conferência, e falou do seu conto “O ovo e a Galinha”, que depois de traduzido para o espanhol fez sucesso entre os participantes. Ao voltar ao Brasil, a viagem de Clarice ganhou ares mitológicos, com jornalistas descrevendo (falsas) aparições da autora vestida de preto e coberta de amuletos. Porém, a imagem se formou, dando a Clarice o título de “a grande bruxa da literatura brasileira”. Seu próprio amigo Otto Lara Resende disse sobre a obra de Lispector: “não se trata de literatura, mas de bruxaria.”

Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com cancro inoperável num ovário, diagnóstico desconhecido por ela. Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi enterrada no Cemitéri Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro.





5 Minutos de Leitura

25 06 2011

5 Minutos de Leitura

Segunda-feira, 27 de Junho de 2011

      Meu  Deus do  céu, não  tenho  nada  a  dizer. O  som  de minha  máquina é macio. Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a  anotar  frases?  A  palavra  é  o  meu  meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e  fatalidade.  A  palavra  é  tão  forte  que  atravessa  a  barreira  do  som.  Cada  palavra  é  uma  ideia. Cada  palavra  materializa  o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.
(…)

       Qual é mesmo  a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exactamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade.  Simplesmente não há palavras. O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo.  Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam. (…)

       Sempre  quis  atingir  através  da  palavra  alguma  coisa  que  fosse  ao  mesmo  tempo  sem  moeda  e  que  fosse  e  transmitisse tranquilidade  ou  simplesmente  a  verdade  mais  profunda  existente  no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos  palavras.  Meu  livro  melhor  acontecerá  quando  eu  de  todo  não  escrever.  Eu  tenho  uma  falta  de  assunto  essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora.
Simplesmente as palavras do homem.

Clarice Lispector (1920-1977) – Romancista, contista, cronista e jornalista ucraniana/brasileira.

Texto seleccionado pela BE





Stomp!

22 06 2011

Stomp, o famoso grupo de dança oriundo de Brigthon, Reino Unido, nesta sua actuação utiliza  objectos comuns de sucatas para criar a sua performance percussiva.





5 Minutos de Leitura: Poema do coração

22 06 2011

5 Minutos de Leitura

Sexta-Feira,  24 de Junho de 2011

Poema do coração

 

Eu queria que o Amor estivesse realmente no coração,
e também a Bondade,
e a Sinceridade,
e tudo, e tudo o mais, tudo estivesse realmente no coração.
Então poderia dizer-vos:
“Meus amados irmãos,
falo-vos do coração”,
ou então:
“com o coração nas mãos”.

Mas o meu coração é como o dos compêndios.
Tem duas válvulas (a tricúspida e a mitral)
e os seus compartimentos (duas aurículas e dois ventrículos).
O sangue ao circular contrai-os e distende-os
segundo a obrigação das leis dos movimentos.

Por vezes acontece
ver-se um homem, sem querer, com os lábios apertados,
e uma lâmina baça e agreste, que endurece
a luz dos olhos em bisel cortados.
Parece então que o coração estremece.
Mas não.
Sabe-se, e muito bem, com fundamento prático,
que esse vento que sopra e ateia os incêndios,
é coisa do simpático.
Vem tudo nos compêndios.

Então, meninos!
Vamos à lição!
Em quantas partes se divide o coração?

António Gedeão

Texto seleccionado pelo professor Paulo Afonso





We will survive

21 06 2011

O dueto Igudesman & Joo com os  Kremer & Kremerata interpretam uma versão muito própria da canção “We will survive”.