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14 10 2014

Quarta feira, 15 de outubro de  2014

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Temos os neandertais na pele, afirmam cientistas

 

O legado genético que os neandertais deixaram aos humanos modernos é mais substancial do que se pensava, mas concentra-se em regiões específicas do nosso genoma, influenciando-o ainda hoje características da nossa pele, o nosso risco perante certas doenças e até alguns comportamentos.

Os neandertais, primos euroasiáticos dos humanos modernos, extinguiram-se há quase 30 mil anos 

Já se sabia, com base na sequenciação da totalidade do ADN de um neandertal que viveu há 50 mil anos, obtida em 2013, que os humanos modernos e os neandertais se cruzaram e produziram descendência, provavelmente há 40 mil a 80 mil anos, pouco de pois da chegada da nossa espécie à Europa vinda de África. De facto, entre 1% e 3% do genoma das pessoas actuais não originárias de África provêm dos neandertais, esses nossos primos que surgiram na Europa e Ásia há uns 400 mil anos e se extinguiram há 28 mil anos. Mas na realidade, a contribuição genética total dos neandertais para o ADN das populações europeias e asiáticas actuais poderá ter bastante mais do que isso – próxima de 20% –, afirmam cientistas norte-americanos num artigo publicado na revista Science (…)

(…) A equipa de Reich, que analisou as variantes genéticas de 846 pessoas de origem não africana, de 176 pessoas de África subsariana e do neandertal fóssil, aponta também para uma herança vinda dos neandertais ao nível de genes que afectam o risco dos não africanos perante a diabetes de tipo 2, a doença de Crohn, o lupus ou a cirrose biliar – e até… a capacidade de deixar de fumar, escrevem os autores. (…)

ANA GERSCHENFELD – Jornal Público

Texto selecionado pela BE