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5 10 2014

Segunda feira, 6 de outubro de 2014

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Os Símbolos da República

 

Entre as preocupações do primeiro governo provisório republicano estava a adopção de novos símbolos nacionais que identificassem a República. Tratava-se não só de um corte com o passado monárquico, mas também de um acto de propaganda, destinado a mudar as mentalidades e a recordar a todos a existência de um novo regime.

A Bandeira Nacional, que vinha da Monarquia Constitucional, era um desses símbolos. Azul e branca, apresentava as Armas Reais ao centro. Os republicanos desejavam por isso substitui-la, de forma a evitar quaisquer referências ao regime monárquico. Para o efeito, o Governo nomeou logo em Outubro de 1910 uma comissão integrada, entre outros, pelo pintor Columbano Bordalo Pinheiro e o jornalista e escritor João Chagas.

A principal dificuldade consistiu na escolha das cores da bandeira. Acabou por prevalecer o verde e vermelho, símbolos da esperança e do combate, respectivamente. Acresce que o vermelho, predominante, era já a cor da bandeira republicana hasteada na Câmara Municipal do Porto na manhã de 31 de Janeiro de 1891.

Ao centro, optou-se pela esfera armilar, um símbolo adoptado como emblema pessoal de D. Manuel II, que também consagra a epopeia dos Descobrimentos portugueses, um período marcante da História Nacional. Sobre a esfera armilar assenta o tradicional escudo branco com as cinco quinas, à volta do qual se colocou uma faixa carmesim com sete castelos, ambos os elementos remetendo para a conquista da independência no século XII. A aprovação oficial da Bandeira Nacional viria a ocorrer em Junho de 1911.

Na mesma data em que a Assembleia Constituinte aprovou a Bandeira Nacional, aprovou também o novo Hino  A Portuguesa. A sua origem remonta a 1890, quando a música foi composta por Alfredo Keill para unir os Portugueses contra o Ultimato. Ao invés do que é habitual, só depois se juntou a letra, uma poesia (originalmente mais longa) da autoria de Henrique Lopes de Mendonça. Esta música, composta como marcha militar, acompanhou ainda os revoltosos do Porto em 31 de Janeiro de 1891. Como reacção, a monarquia, que tinha no Hino da Carta, composto em 1816 por D. Pedro IV, o Hino Oficial, proibiu a execução de A Portuguesa.

Também procedeu o Governo a uma reforma monetária, tendo substituído a moeda antiga – o real – pelo escudo.

Finalmente, espaços públicos, como ruas, praças e largos, que antes tinham nomes ligados à monarquia passaram a ter nomes republicanos. À revolução na toponímia das vilas e cidades, vêm juntar-se novas estátuas destinadas a perpetuar os heróis e modelos republicanos.

in O 5 de Outubro de 1910 explicado aos jovens, Carlos Rebelo, Plátano Editora, 2010, pp. 24-25

 Texto selecionado pelo grupo disciplinar de História