A infância pobre e desconhecida de Cristiano Ronaldo

16 01 2014

 

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Conclusão 

Enquanto morou no complexo do Estádio José Alvalade, Ronaldo tinha de cumprir horários apertados. Depois do jantar, podia ver televisão na sala comum. Mas às 23h tinha de estar no quarto. Meia hora depois, as luzes eram apagadas no edifício inteiro e não havia excepções. O rigoroso segurança responsável pelo lar assegurava em várias rondas o cumprimento da lei. Fábio Ferreira diz que às vezes o conseguiam enganar para se juntarem todos num só quarto. Tentar fugir durante a noite era demasiado complicado. E nunca tentaram. “A única saída era atravessar o campo todo e sair por uma porta no lado oposto, mesmo junto à porta da SAD, que também tinha seguranças”, explica à SÁBADO.
O primeiro dia de aulas em Lisboa foi catastrófico para Ronaldo. Depois de chegar atrasado, a professora pediu-lhe para se apresentar à turma durante a chamada. Ele era o número 5. “Olá, eu sou o Cristiano Ronaldo e venho da Madeira”, disse com uma pronúncia madeirense quase incompreensível. Os colegas começaram a gozar com ele e até a professora se riu. Ronaldo ficou tão irritado que agarrou na cadeira onde estava sentado e avisou a professora de que lha atirava à cabeça se ela não parasse de rir. Foi o primeiro de vários processos disciplinares que teve em Telheiras por comportamentos violentos ou faltas injustificadas.
A pronúncia tornou-se um verdadeiro trauma de infância. Ronaldo tinha de repetir as frases três e quatro vezes até as pessoas conseguirem perceber o que ele queria dizer. Esse era um dos principais motivos pelos quais passava tanto tempo sozinho no quarto a chorar. Logo no primeiro ano fora da Madeira, começou a tentar mudar a forma como falava. Era um esforço enorme no início, mas depois tornou-se natural. Ele repetia as mesmas palavras fechado no quarto até lhe parecer que eram iguais às dos outros colegas. “Os miúdos gozavam muito com ele. Mas ele é esperto, capta tudo. Também aprendeu a falar inglês e espanhol sem estudar”, diz Elma Aveiro à SÁBADO.

  Por Jaime Martins Alberto e Tânia Pereirinha – 13-01-2014


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