Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor

23 04 2013

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5 Minutos de Leitura

22 04 2013

Terça-feira, 23 de abril de 2012

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O medo do ridículo

O medo do ridículo é um forte limitador das nossas vidas e quase diariamente ele decide fazer-nos companhia.

Mas que medo é este que tanto nos limita? O medo do ridículo é um dos maiores bloqueadores da nossa ação e da nossa capacidade de inovação. Este medo, quando sentido de forma exacerbada, chega mesmo a deixar quem o sente sem capacidade de interagir com os outros. Não estamos a falar desses extremos, contudo, todos nós, com maior ou menor intensidade, já passámos por situações em que o medo do ridículo, o medo que se riam de nós, nos bloqueou. Lembre-se de quando andava na escola, quantas vezes um professor colocou uma questão à qual pensava saber responder, mas não o fez, acabando por ouvir outro colega dar a sua resposta e receber os elogios do professor? Por que motivo não respondeu? O que tinha a perder se a resposta estivesse errada? Mais crescido, quantas vezes, num dia quente de verão, lhe apeteceu correr descalço na relva e refrescar-se debaixo do aspersor de água enquanto a relva era regada, e não o fez? Quantas oportunidades perdemos na vida por termos medo de nos expormos, pelo medo do ridículo?!

Na realidade, o mundo avançou devido a pessoas que não tiveram receio de enfrentar o ridículo, basta lembrarmo-nos de alguns dos bens aos quais nos habituámos no nosso dia a dia, que, antes de existirem, pareceriam inimagináveis. Por que motivo quem os criou foi bem sucedido? Porque, apesar do medo que também poderia sentir, ousou enfrentá-lo e fazer a diferença. O seu invento poderia não resultar, mas se não tivesse tentado, ele nunca existiria, e hoje não teríamos aviões, telemóveis, ou o simples cartão multibanco, sem o qual já nem imaginamos passar.

Da próxima vez que sentir que o medo do ridículo o está a inibir de fazer algo, pense que as várias invenções surgiram na sequência de vários erros.

Se errar, analise os seus erros para os poder superar, mas não se foque no erro ou no «ridículo» da situação, sentindo-os como um motivo para se envergonhar. Diga para si mesmo:

«Tudo bem!»

Maria do Carmo Oliveira; Manuel de Oliveira;  “Viver em tempos de mudança”

Texto selecionado pela BE





22 de abril Dia Internacional da Terra

22 04 2013

“O Dia Internacional da Terra é uma oportunidade de reafirmar a nossa responsabilidade coletiva para promover a harmonia com a natureza  num tempo em que nosso planeta está sob a ameaça da mudança climática, exploração insustentável dos recursos naturais e outros problemas causados pelo homem. Quando nós ameaçamos o nosso planeta, minamos nossa própria casa – e a nossa sobrevivência no futuro”

Mensagem do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

 





5 Minutos de Leitura

19 04 2013

Segunda-feira, 22 de abrilde 2013

 

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O meu verde mar azul

Aqui tão perto do monte

Sobre uma rocha sentado,

vejo a linha do horizonte

e o mar azulado.

Foi aqui que nasci,

Entre o vale e o mar

E jamais me esquecerei de como o admirar.

Sopra um vento forte…

As ondas crescem para Norte.

Algumas trazem alegria e não fazem mal,

Outras trazem o pior, um punhal.

Terra de amor,

Terra de pescador,

Frágil homem forte

Que nunca receou a morte.

Continuo a ouvir o mar a cantar

Mas que belo lugar!

Um paraíso que me faz calar…

Este será para sempre o meu lar!

Ana Figueiras, 10º B1





5 Minutos de Leitura

18 04 2013

Sexta-feira, 19 de abril de 2013

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Sempre que se veem,

De mãos dadas, a caminhar,

Todos adivinham o seu desejo

De que, nem a troco de um beijo,

os tentam separar.

 

Para todo o lado, a par,

Muito acima do chão,

Basta um pequeno olhar

Para logo combinar

O mesmo bater do coração.

 

Tudo o que passaram

Depois de muito lutar,

Não deixa de os fazer sentir

Que ambos sabem unir

O que nem os sonhos sabem separar.

 

Mariana Barreiros, 10º B





5 Minutos de Leitura

18 04 2013

Quinta-feira, 18 de abril de 2013

 

Contos assim-assim: Comboio

O mesmo percurso até à estação. A mesma viagem de comboio. Um rosto familiar

 

A chuva caía a direito, com uma força assinalável, quando o Serafim saiu de casa. A Segunda-feira seria “chuvosa”, de qualquer forma, uma vez que o Serafim era alérgico a inícios de semana. Dizia, no café, que não deveria haver primeiro nem último dia da semana.

No caminho até à estação, cumprimentava sempre doze pessoas, três das quais, de forma mais calorosa: o Zé do Talho, o Chico da Oficina e a dona Sara do café. Por esta ordem e com especial simpatia para a dona Sara, visto que o Serafim era de um tempo em que o charme passava, em larga escala, pela educação.

Quando chegou à estação, validou o bilhete de comboio. Apetecia-lhe dizer à máquina “Estou farto de ti, só me apareces de manhã e ao fim da tarde, ou seja, sempre que estou aborrecido”, mas não disse nada. Nem era por ser estúpido falar com uma máquina: era apenas por preguiça.

Dentro do comboio, parecia haver uma neblina formada pelo sono das pessoas. Em última análise, poderia ser constituída apenas pelo sono de Serafim. Mas que havia neblina, isso havia.

Mesmo ao lado, estavam dois homens a falar de política. Um parecia ser de esquerda, outro de direita, embora o primeiro estivesse sentado no banco da direita e o segundo no da esquerda. A confusão que esta situação pode provocar é directamente proporcional à que existia naquela conversa. Muito do discurso passava por esta ideia: os meus são maus e até podem roubar, mas são melhores do que os teus. Ao fim de dois minutos, a conversa estava mais do que entendida, para todos, excepto para os próprios. Ficaram meia hora naquilo. Um deles terminou dizendo que “a vida é um comboio que não pára em Ermesinde”.

Quando a viagem começou, o Serafim perdeu-se na paisagem que o percurso mostrava. Os campos surgiam, em sequência, uns maiores do que outros, uns cultivados, outros abandonados. O Serafim pensava sempre no que faria, se tivesse um terreno. Depois, pensava na preguiça que iria ter, para tratar dele, e desistia da ideia.

Perto do seu lugar, estava uma mulher cujo rosto lhe pareceu estranhamente familiar. Aquelas feições, que a idade temperou, não da melhor forma, despertavam em Serafim memórias escondidas.

Lembrou-se da sua juventude. De um amor que teve, por uma rapariga chamada Filomena. A mulher que estava no comboio, de olhar vago e triste, de cabelo marcado por tons de branco, parecia-se com Filomena. “Não pode ser ela, nunca mais a encontrei, ela foi embora com os pais, não pode ser ela”, pensava Serafim.

Aquela memória transportou-o para a sua juventude, para tempos de rebeldia e aventura. Pensava em si e na sua vida, e sentiu que não estava muito distante do que planeara, para si, aos vinte anos.

Quando voltou a olhar para a mulher, ela olhava para ele, fixamente. “Parece que me conhece, mas não pode ser a Filomena.”

Saiu na estação do costume. “Parece mesmo ela, mas não é”.

 

Era Filomena e continuou a olhá-lo, enquanto ele saía do comboio. “O Serafim não mudou nada”, pensou.

Texto de João Nogueira Dias • 07/04/2013





5 Minutos de Leitura

16 04 2013

Quarta-feira, 17 de abril de 2013

gato 

Contos assim-assim: O gato

Uma diretora confiante. Uma apresentação de um produto verdadeiramente inovador. Onde está o gato?

 

A lição estava bem estudada. Naquela sala vazia, a diretora sentia vontade de falar para as cadeiras. Cadeiras que estariam bem atentas, caso ela começasse a falar.

Ali, não decorriam reuniões importantes, havia semanas. A última fora realizada com o intuito de decidir qual o carro que seria comprado para a direção. Como não houve consenso, houve uma medida de desempate: a diretora escolheu. O carro era azul, o que provocou sensações distintas e duas piadas escritas numa porta da casa-de-banho. Facto é que a diretora não falou, antes de a reunião começar.

Naquele espaço, seria apresentado um sistema totalmente inovador de produzir determinados produtos, omitidos desta breve descrição para que a mesma não se torne demasiado técnica. Mas eram produtos. E isso basta.

A diretora começou a apresentação com bastante confiança. Sabia que o projeto que apresentava era ganhador, estava preparada e sabia que o conselho de administração iria gostar da ideia. Não havia como não gostar: tinha a noção de que se a mostrasse à sua vizinha do 5.º esquerdo, ela iria adorar. Era uma pena que não tivesse uma vizinha do 5.º esquerdo.

A apresentação foi  crescendo, como uma espécie de ópera, com um clímax final. Foi uma apresentação tão boa que deixou de o ser, para passar a ser, como agora se diz, um “pitch”. A diretora falava, confiante, sorrindo, aqui, ali, acolá e onde mais fosse possível. Parecia ter o rei na barriga, depois de o ter dilacerado e engolido. Estava perto dos três metros de altura, no final da apresentação. Tanto que, a dada altura, pareceu sentir o seu braço a chegar ao fundo da sala. Se assim fosse, poderia dar um estalo a um dos administradores. Mais precisamente, àquele de quem menos gostava.

Quando se preparava para dar a estocada final na sua audiência, teve uma surpresa desagradável. A última imagem da apresentação não era aquela que tinha planeado: no dia anterior, o seu filho estivera a brincar com o computador e achou que seria pertinente colocar uma fotografia de um gatinho no lugar das conclusões.

A diretora ficou sem palavras e sentou-se, desamparada. Um dos administradores resolveu intervir, para tentar salvar a situação. Propôs que se fizesse uma pausa, antes da apresentação das conclusões. A diretora fez um aceno, sem saber o que mais poderia fazer.

Os administradores levantaram-se para sair. O administrador de quem a diretora não gostava fez um sorriso trocista, ao passar por ela, e resolveu falar-lhe.

Acho que o projeto não deve ser aprovado. Mas reconheço que a apresentação teve um final muito fofinho.

 

 João Nogueira Dias