5 Minutos de Leitura:A Sabedoria Perdida de uma Biblioteca – Texto II

3 11 2010

5 Minutos de Leitura

Quinta-Feira, 04 de Novembro de 2010

 

A Sabedoria Perdida de uma Biblioteca – Texto II


O tesouro da biblioteca era a sua colecção de livros. Os organizadores vasculharam todas as culturas e línguas do mundo. Enviaram agentes ao estrangeiro para comprar bibliotecas. Os navios mercantes que atracavam no porto de Alexandria eram revistados pela polícia – não para procurar contrabando, mas livros. Os manuscritos eram pedidos emprestados, copiados e depois devolvidos aos seus donos. É difícil determinar um número exacto, mas parece que a biblioteca continha cerca de meio milhão de volumes, manuscritos em papiro. Que aconteceu a todos esses livros? A civilização clássica que os criou desintegrou-se e a própria biblioteca foi propositadamente destruída. Apenas uma pequena fracção das suas obras sobreviveram, juntamente com alguns patéticos fragmentos dispersos. Como são tantalizantes esses restos! Sabemos, por exemplo, que nas prateleiras da biblioteca existiu um livro do astrónomo Aristarco de Samos, defensor de que a Terra era apenas um planeta que, tal como os outros, girava em volta do Sol e que as estrelas estavam a distâncias enormes. Cada uma destas conclusões é inteiramente correcta, mas tivemos de esperar quase 2000 anos pela sua redescoberta. Se multiplicarmos por 100000 a perda deste livro de Aristarco, poderemos fazer uma ideia da grandiosidade da civilização clássica e da tragédia que representou a sua destruição.

Hoje ultrapassámos de longe a ciência do mundo antigo, mas existem lacunas irreparáveis no nosso conhecimento histórico. Imaginem que mistérios sobre o nosso passado se poderiam resolver com um cartão de leitor da Biblioteca de Alexandria. Temos conhecimento duma história do mundo em três volumes, hoje desaparecida, escrita por um sacerdote caldeu chamado Berossus. O primeiro volume tratava do intervalo de tempo desde a Criação até ao Dilúvio, um período que ele calculava ser de 432000 anos, cerca de cem vezes mais do que a cronologia do Velho Testamento. Que coisas lá estariam escritas?

 

Carl Sagan, Cosmos

 

Texto seleccionado pelo Professor José Carlos Viana

 

 

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