5 Minutos de Leitura:A Sabedoria Perdida de uma Biblioteca – Texto I

2 11 2010

5 Minutos de Leitura

Quarta-Feira, 03 de Novembro de 2010

 

A Sabedoria Perdida de uma Biblioteca – Texto I

 

Foi em Alexandria, durante os 600 anos que começaram por volta do ano 300 a. C., que os homens, num sentido já nítido, iniciaram a aventura intelectual que nos levou às costas do espaço. Mas do aspecto e do sentir dessa gloriosa cidade de mármore nada resta. A opressão e o medo de aprender suprimiram quase todos os vestígios da antiga Alexandria. A sua população maravilhava pela diversidade. Macedónios, os últimos soldados romanos, sacerdotes egípcios, aristocratas gregos, navegadores fenícios, mercadores judeus, visitantes da Índia e de além do Sara africano. Todos, excepto a vasta população de escravos, viveram em harmonia e respeito mútuo durante a maior parte do período de grandeza de Alexandria.

A cidade foi fundada por Alexandre-o-Grande e construída pela sua antiga guarda real. Alexandre defendia o respeito pelas culturas estranhas e a busca sem restrições do conhecimento. De acordo com a tradição – e pouco importa se realmente aconteceu -, desceu até ao fundo do mar Vermelho no primeiro sino de mergulhador do mundo. Encorajou os seus generais e soldados a casar com mulheres persas e indianas. Respeitava os deuses dos outros países. Reuniu formas de vida exóticas, incluindo um elefante para Aristóteles, seu professor. A sua cidade foi construída duma forma generosa, com o intuito de ser um centro mundial de comércio, cultura e saber. Foi embelezada com avenidas de 30m de largura, arquitectura elegante e estatuária, o monumental túmulo de Alexandre e um farol enorme, Faros, uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Mas a maior maravilha de Alexandria era a sua biblioteca e o museu que Ihe estava associado (literalmente uma instituição dedicada às especialidades das Nove Musas). Dessa biblioteca lendária, tudo o que resta hoje é uma cave subterrânea húmida e esquecida do Serapeu, o anexo da biblioteca, um antigo templo posteriormente consagrado à sabedoria. Umas poucas prateleiras bolorentas são talvez os seus únicos restos físicos. No entanto, este lugar foi em tempos o cérebro e a glória da mais importante cidade do planeta, o primeiro verdadeiro instituto de investigação da história do mundo.

Carl Sagan, Cosmos

Texto seleccionado pelo Professor José Carlos Viana

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